Filmes de 2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Resenha: Caixa de Pássaros




        Caixa de Pássaros, de Josh Malerman


                     caixadepassarosgrande

                                                      Título: Caixa de Pássaros
                                                      Autor: Josh Malerman
                                                      Editora: Intrínseca
                                                      Ano: 2015


Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.


                                                                 Resenha:


Com certeza, Caixa de Pássaros é um dos trhillers de terror/horror mais genuínos dos últimos anos.
Tem alguma coisa lá fora. Esperando por você, em todos os lugares. Ninguém sabe o que é, quem é ou qual sua forma, porque quem viu, não viveu pra contar a história. Só se sabe que é letal. Há algo lá fora esperando para enlouquecer você e fazer você cometer atos horríveis: fazer você se mutilar, se suicidar. Basta apenas um segundo, um mínimo descuido e tudo está terminado. Basta ver “aquilo” e você está perdido. Quer ficar em segurança? NÃO ABRA OS OLHOS! Para nada. Vai sair? Use uma venda. Tape as janelas com cobertores, tábuas, o que encontrar. Construa barricas, não deixe um sequer buraco de claridade aparecer, você não pode ver a luz do mundo lá fora. Esconda-se, não saia de casa, não olhe pela janela. Viva todos os dias com medo, na escuridão de uma casa. Essa é a vida em “Caixa de Pássaros”, a única regra é: NÃO ABRA OS OLHOS – se quiser sobreviver.

Cinco anos se passou desde o inexplicável surto começou, agora Malorie e os dois filhos têm de enfrentar o desconhecido para salvar suas vidas. Uma viagem literalmente no escuro, sem abrir os olhos, onde qualquer errinho, pode mata-los. Esse é um daqueles livros onde você sente o desespero dos personagens.

“Na calçada, um casal passa com o jornal cobrindo o rosto até as têmporas”. Alguns motoristas dirigem com os retrovisores virados para cima. Distante, Malorie se pergunta se aqueles são sinais de que a sociedade está começando a acreditar que há algo de errado. E se houver, o que é?”… “Um homem no fim do corredor abre uma caixa de curativos. Então põe um deles sobre o olho.”
Grande parte da história pe narrada em 1ª pessoa pela protagonista, mas, Mallorie, não é um narrador onisciente/onipresente, ela percebe apenas o que esta ao seu redor e divaga consigo mesma as possibilidades dos fatos. A narrativa é permeada por muitas digressões atinentes aos acontecimentos presentes, o que dá ao leitor as condições de compreender como e por quê o livro começa quando a maior parte da história já havia acontecido.
O ritmo da leitura é contínuo e claustrofóbico, onde o leitor se vê completamente envolvido com as personagens, o medo e a angústia estão presentes a cada página e a iminência de algo por vir, algo desconhecido e perturbador, algo invisível é constante durante toda a leitura.
Diante de uma análise mais sociológica, Caixa de Pássaros retrata muito bem o comportamento humano, bem como, as formas de conduta de cada personagem diante do desconhecido, enquanto, " as criaturas", ficam retidas a um plano secundário, posto que, não há grandes informações sobre quem são, de onde vieram ou o que pretendem, isso fica muito implícito até o final da narrativa, o que chega a ser uma decepção, pois fica a cargo do leitor imaginar e propor desfechos mais explicativos.
“Ele poderia ter entrado em qualquer momento. Poderia ter quebrado uma janela. Poderia tê-la atacado quando ela ia pegar água no poço. Por que esperaria? Sempre seguindo, sempre rondando, só que ainda não estava pronto para atacar.”

Josh explora o mundo da escuridão, dos ruídos, dos sussurros e barulhos, qualquer coisa pode significar seus últimos instantes de vida, qualquer batida na porta ou galho quebrando se revela extremamente ameaçador.
“Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens.”

Como leitora e apreciadora de filmes/livros de terror/horror, eu gostei muito do enredo, da escrita simples o objetiva e da forma articulada como Malerman conduz os acontecimentos, porém, não apreciei duas falta de consonância durante o ápice e o desfecho. Minha primeira decepção surgiu quando percebi que o autor passou tempo demais analisando perfis, comportamentos e a relação desarmoniosa das personagens confinadas à casa, e, simplesmente, deu uma breve pincelada nas explicações de como todos os habitantes da casa morreram. Como assim? Acredito que Malerman podia ter lançado mais luz sobre o que aconteceu realmente dentro daquela casa, no momento em que " as criaturas" entraram, ou permitido que algum personagem tivesse sobrevivido por mais algum tempo para esclarecer tudo. Não, não é pedir demais, esta é apenas, minha opinião de leitora. Outra decepção que sofri ao fim da narrativa, e que percebi que, a maioria dos leitores que leram o livro, assim como, as resenhas de diversos blogs que falaram sobre Caixa de Pássaros, foi o final, que assim como toda a história terminou " no escuro", ou seja, se você é daqueles que gostam de um final revelador, em que tudo fica esclarecido, este livro não é muito indicado. Eu esperava por um desfecho a altura, por algo que não chegou, – não que o livro não tenha um final – porém esperei saber mais informações,principalmente, sobre " as criaturas", mas isso não aconteceu, pode ser que não foi este o foco de Malerman, o autor deixou claro ao decorrer da história que seu intuito era deixar o leitor aterrorizado até o final, o que conseguiu. Mas a história em si contrapõe esse final decepcionante. Depois de ler “Caixa de Pássaros”: Nunca mais se pode ouvir o barulho dos pássaros da mesma forma, assim como, estará sempre latente, aquele bordão: " Não abra os olhos".

                                                         By Stela Bagwell