Filmes de 2015

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O MAL NECESSÁRIO DE EDGAR ALLAN POE

   

Ele que marcou a história da literatura com narrativas de terror e mistério, tendo influenciado grandes autores. Poe foi pioneiro entre os escritores americanos de contos, sendo considerado o inventor do gênero ficção policial. As obras dele foram um marco para a literatura norte-americana contemporânea, com destaque para o seu mais famoso poema, “O Corvo”, de 1845.

Edgar Allan Poe nasceu em Boston, Massachusetts, Estados Unidos em 19 de Janeiro de 1809,  foi um autor, poeta, editor e crítico literário americano, integrante do movimento romântico americano. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos e é geralmente considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difíceis.
Quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado. Depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827).

                                           

Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em 1845, Poe publicou seu poema The Raven, foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes. Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.

                                                     Estilo literário

As obras mais conhecidas de Poe são góticas, um gênero que ele seguiu para satisfazer o gosto do público . Seus temas mais recorrentes lidam com questões da morte, incluindo sinais físicos dela, os efeitos da decomposição, interesses por pessoas enterradas vivas, a reanimação dos mortos e o luto. Muitas das suas obras são geralmente consideradas partes do gênero do romantismo sombrio, uma reação literária ao transcendentalismo, do qual Poe fortemente não gostava. Além do horror, Poe também escreveu sátiras, contos de humor e hoaxes. Para efeito cômico, ele usou a ironia e a extravagância do ridículo, muitas vezes na tentativa de liberar o leitor da conformidade cultural. De fato, "Metzengerstein", a primeira história que Poe publicou, e sua primeira incursão em terror, foi originalmente concebida como uma paródia satirizando o gênero popular. Poe também reinventou a ficção científica, respondendo na sua escrita às tecnologias emergentes como balões de ar quente em "The Balloon-Hoax". Poe escreveu muito de seu trabalho usando temas especificamente oferecidos para os gostos do mercado em massa. Para esse fim, sua ficção incluiu muitas vezes elementos da popular pseudociência, como frenologia e fisiognomia.

             

A escrita de Poe reflete suas teorias literárias, que ele apresentou em sua crítica e também em peças literárias como "The Poetic Principle". Ele não gostava de didatismo e alegoria, pois acreditava que os significados na literatura deveriam ser uma subcorrente sob a superfície. Trabalhos com significados óbvios, ele escreveu, deixam de ser arte.  Acreditava que o trabalho de qualidade deveria ser breve e concentrar-se em um efeito específico e único. Para isso, acreditava que o escritor deveria calcular cuidadosamente todos sentimentos e ideias. Em "The Philosophy of Composition", uma peça na qual Poe descreve seu método de escrita em "The Raven", ele afirma ter seguido estritamente este método. Porém, foi questionado se ele realmente seguiu esse sistema. T. S. Eliot disse: "É difícil para nós lermos esta peça sem pensar se Poe escreveu seu poema com tanto cálculo, ele poderia ter pego um pouco mais de dores sobre isto: o resultado dificilmente tem crédito ao método". O biógrafo Joseph Wood Krutch descreveu a peça como "um exercício um tanto engenhoso na arte de racionalização".
Durante sua vida, Poe era sobretudo conhecido como um crítico literário. James Russell Lowell, também crítico, dizia que ele era "o mais distinto, filosófico e destemido crítico de obras que tem escrito na América", sugerindo – retoricamente – que ele ocasionalmente usava ácido prússico ao invés de tinta.  As críticas cáusticas de Poe fizeram com que ele ganhasse o apelido de "Homem Tomahawk". Seu alvo favorito era o poeta de Boston, aclamado em sua época, Henry Wadsworth Longfellow, que era frequentemente defendido por seus companheiros literários no que seria mais tarde chamada de "A Guerra de Longfellow". Poe acusava Longfellow de "a heresia da didática", escrevendo poesias enfadonhas, derivativas e tematicamente plagiadas.
Poe também era conhecido como um escritor de ficção e se tornou um dos primeiros escritores americanos do século XIX a se tornar mais popular na Europa do que nos Estados Unidos. Poe era respeitado especialmente na França, em parte devido as traduções sem demora de Charles Baudelaire, estas que vieram a se tornar as edições definitivas das obras de Poe pela Europa.


Os contos de detetive de Poe com o personagem C. Auguste Dupin acabariam por se tornar a base para as futuras historias de detetive da literatura. Segundo sir Arthur Conan Doyle: "Cada uma [das estórias de detetive de Poe] é uma raiz da qual toda uma literatura se desenvolveu.... Onde estavam as estórias de detetives antes de Poe soprar o sopro da vida nelas?" A associação Mystery Writers of America nomeou seus prêmios para a excelência no gênero de "Edgars".  Poe também influenciou o gênero de ficção cientifica, especialmente Jules Verne, que escreveu uma continuação para o romance de Poe A Narrativa de Arthur Gordon Pym chamada An Antarctic Mystery, também conhecida como The Sphinx of the Ice Fields. Segundo o autor de ficção cientifica H. G. Wells, "Pym conta o que uma mente muito inteligente poderia imaginar sobre o polo sul a um século atrás." Assim como diversos artistas famosos, as obras de Poe geraram diversos imitadores. Uma interessante tendência entre os imitadores de Poe, no entanto, eram as alegações de clarividentes ou pessoas com poderes paranormais de estarem canalizando poemas do espírito de Poe. O mais notável destes casos foi o de Lizzie Doten, que em 1863 publicou Poems from the Inner Life, no qual ela alega ter "recebido" novas obras pelo espírito do autor. Estas obras constituíam de retrabalhos de poemas famosos de Poe como The Bells mas que refletiam uma nova perspectiva, mais positiva. No entanto, Poe também era alvo de criticismo. Isto era parcialmente devido à visão negativa que existia devido ao seu carácter pessoal e a influência que este tinha em sua reputação. William Butler Yeats ocasionalmente criticava Poe e uma vez chegou a chama-lo de "vulgar". Transcendentalista Ralph Waldo Emerson reagiu ao poema "O Corvo" dizendo que "não via nada de mais nele",  referindo-se a Poe de modo zombeteiro como "the jingle man". Aldous Huxley escreveu que a composição literária de Poe "cai na vulgaridade" por ser "muito poética" – o equivalente a usar um anel de diamantes em cada dedo. Acredita-se que apenas doze cópias do primeiro livro de Poe, Tamerlane and Other Poems, ainda existem. Em dezembro de 2009, foi vendida uma cópia na sociedade de leilões Christie's, em Nova Iorque, por seiscentos e sessenta dois mil e 500 dólares, um preço record pago por uma obra da literatura americana
Poe tinha um grande interesse em criptografia. Ele notou pela primeira vez suas habilidades no periódico da Filadélfia Alexander's Weekly (Express) Messenger que estava convidando leitores a submeterem cifras, o qual ele procedeu a resolver.  Em julho de 1841, Poe escreveu um artigo chamadao "Algumas palavras sobre Escrita Secreta" no periódico Graham's Magazine. Se aproveitando do interesse publico no tópico, ele escreveu "O Escaravelho de Ouro" incorporando cifras como parte essencial da estoria. O sucesso de Poe com criptografia não dependia muito em seu conhecimento profundo do campo (seu método era limitado a simples cifra de substituição), mas sim no conhecimento adquirido da cultura de jornais e periódicos. Sua afiada habilidade analítica, tão evidente em suas estorias de detetive, permitia que ele visse que o publico em geral não possuía o conhecimento necessário para saber como um simples criptograma de substituição possa ser resolvido, e ele usava isso a seu favor. A comoção criada por suas façanhas criptográficas desempenhou um papel importante em popularizar criptogramas em jornais e revistas. Poe teve uma influência na criptografia alem de incrementar o interesse publico durante sua vida.


 William Friedman, um dos principais criptologistas da América, foi profundamente influenciado por Poe. O interesse inicial de Friedman por criptografia veio após ler "O Escaravelho de Ouro" quando criança, interesse que mais tarde seria posto em uso para decifrar códigos da maquina PURPLE, pertencente ao Japão, durante a segunda guerra mundial

                                             Legado

                                    Análise de O Corvo

                                       

Em A Filosofia da Composição, Poe usa de profunda sinceridade ao descrever também considerações sobre o poema O Corvo. Poe afirma, sem deixar dúvidas para questionamentos, que seu trabalho não é acidente, inspiração, intuição do momento, pelo contrário, seu trabalho foi criado com uma rígida precisão, tal como se resolvesse um problema matemático. Qualquer leitor há de convir que O Corvo, tem uma musicalidade perceptível, sua métrica é exata e perfeita, as rimas são sempre apropriadas, usando-se de combinações fonéticas para a criação de um ritmo constante. É difícil não captar a insanidade do eu lírico, pela dualidade constante: " ave ou demônio, profeta ou o que quer que sejas", Além disso, a intimidade que o eu lírico cria com o leitor é palpável, percebe-se que ele esta ali, ele é o poema, não há nada escondido, não há tentativa de ludibriar ou de disfarçar uma faceta. O eu-lírico diz: " esse sou eu " e  sinceramente, se você aceita ou não pouco importa.
O tão famoso " never more " do Corvo, é diretamente ligado ao fato de que, o eu-lírico jamais esquecerá Leonora, jamais se acalmará, jamais a beijará e também, o próprio corvo jamais o deixará. Se entendermos que o  Corvo simboliza a morte, vemos a morte como uma eterna companhia do eu-lírico. Ele que já era louco, desvairado, sozinho, perdido, agora é semi-morto. E talvez estar nesse estado seja pior do que ter morrido de fato. Vários críticos, inclusive Umberto Eco, dizem que as falas do Corvo vão muito além do que conseguimos descrever. É preciso senti-las através do contexto da poesia, pois só assim entenderíamos o que significam tanto para nós quanto para o poeta.
O Corvo de Poe é assim: criado como arte, apoiando-se na mais pura lógica, dentro da cabeça de um dos maiores gênios da literatura. O resultado, ilogicamente, é a dificuldade em descrever todas a nuances e detalhes de um dos poemas mais fabulosos já escritos. Saber que a palavra " never more " foi escolhida a rígido dedo por causa de o longo como sendo a vogal mais sonora, acompanhado do r. a consoante mais producente ( Poe, 2008, p.23) e transformada em refrão pelo impacto já comprovado.
Esse com certeza é o poema mais difícil de se comentar, tanto pelo seu tamanho, quanto pela sua complexidade. Não se consegue abarcar nem um terço daquilo que ele representa. No entanto, Poe, o gênio norte-americano, que obviamente, não é maior escritor pelas obras, mas é o maior escritor por quem foi, como viveu e pelo que representa.

                 Um Pouco de Outras Obras De Edgar Allan Poe

                                Histórias Extraordinárias

   

Livro que reúne alguns dos melhores contos de Poe. Por este livro entende-se porque o escritor é tão aclamado. Sua forma de escrita detalhista e rebuscada enfatiza cada cena de terror.

                                                          LIGEIA ( 1938 )

                                        

Um homem que vive em luto pela morte do amor da sua vida passa por uma experiência extenuante ao acompanhar a doença de sua segunda esposa, que por sua vez, passa por um evento muito estranho.

                                    PEQUENA PALESTRA COM UMA MÚMIA ( 1845 )

                                          

Vários homens se reúnem na calada da noite para realizar um feito que há muito aguardam: examinar uma múmia, qual é a surpresa de todos quando, ao aplicar choques no morto, como parte de uma experiência, ele acorda e discute com todos eles.

                                                      A CARTA ROUBADA ( 1844 )

                               

O comissário de polícia pede ajuda ao culto Dupin para resolver um caso que considera muito simples, mas vem se tornando esquisito: encontrar uma carta.

                                                         O GATO PRETO ( 1843 )

                                       

Um homem que parece ser dócil e amigável, gosta de animais e sente prazer em estar com eles, é tomado pelo álcool e passa a ter aversão aos bichos, principalmente, de Plutão, seu gato. Em um ato desesperado ele mata o gato enforcado, mas esse ato não finaliza seus problemas, muito pelo contrário.

                    O MÉTODO  DO DR. ALCATRÃO E DO PROFESSOR PENA ( 1845 )

                                           

Um conto bem interessante, não chega a ser de terror mas é bem divertido em si, e bastante inteligente também.

                                                 O BARRIL DE AMONTILLADO ( 1846 )

                                     

Um home que jura silenciosamente vingança contra um amigo que lhe humilhou, encontrando certa oportunidade, chama o tal maigo para verificar um barril de vinho de sua adega excêntrica.

                                                           O POÇO E O PÊNDULO ( 1842 )

                                        

Preso em uma sala escura, um homem é atormentado por um pêndulo afiado que a cada minutp fica mais próximo de seu corpo. Um conto angustiante e nojento.

                                                   A MÁSCARA DA MORTE RUBRA ( 1842 )

                                                 

Um reino é devastado por uma doença conhecida como " morte rubra ", assustado, o príncipe próspero reúne a mais alta realeza e se prendem no castelo. Vivem durante alguns meses aproveitando o conforto do local, até que decidem dar uma festa à fantasia. Em meio às máscaras, surge um convidado inesperado.

                                                              BERENICE ( 1835 )

                                           

Um home que sempre esteve doente encontra o amor de sua vida, Berenice,  porém ela também sofre por causa de constantes convulsões. Em uma visão de sua esposa, tal homem fica obcecado de uma forma um tanto exagerada com relação a ela.

                                                SOMBRA - UMA PARÁBOLA ( 1835 )

                                 

Um conto pequeno e curto sobre pessoas que estão mortas reunidas em uma sala e que recebem uma visita sombria.

                                                O DIABO NO CAMPANÁRIO ( 1839 )

                             

Uma cidade certinha onde todas as casas são iguais e até as pessoas são bem parecidas, é perturbada por um garoto incomum.

                                           A QUEDA DA CASA DE USHER ( 1839 )

                              

Um homem recebe o pedido de um  amigo de infância para vistá-lo, pois ele esta muito doente. Ao chegar a casa, descobre que a doença do homem se deve ao fato da irmã do mesmo estar muito doente e prestes a morrer. E então adoece, ela morre, eles a enterram, mas descobrem tarde demais que cometeram um erro.

                                             O CAIXÃO QUADRANGULAR ( 1844 )

                                             

Durante uma viagem de navio, um homem fica curioso com relação a uma caixa quadrangular que um amigo carrega.

                                                O ESCARAVELHO DE OURO ( 1843 )

                                                

Após encontrar um escaravelho um tanto incomum, dois amigos descobrem que ele guarda um imenso e brilhante segredo.

                                                     O CORAÇÃO DELATOR ( 1843 )

                                    

Um louco tem certo ódio de um idoso por causa de seu olho leitoso e decide matá-lo, mas o plano não sai como planejado, pois uma coisa o entrega...

                                                          WILLIAM WILSON ( 1834 )

                                                 

Desde a escola, um homem sofre perseguição por uma pessoa que tem o mesmo nome que ele, nasceu no mesmo e tem uma aparência semelhante, mas achava tudo isso uma enorme coincidência, mas anos mais tarde percebeu que não era somente isso.

                                                      O RETRATO OVALADO ( 1842 )

                                            

Uma pintura que mostra uma jovem com aspecto muito realista guarda um sinistro segredo.

                                                      O HOMEM NA MULTIDÃO ( 1840 )

                                  

Ao observar o movimento na rua, verificando cada tipo de pessoa, um homem visualiza um senhor que lhe chama a atenção e então passa a segui-lo.

                                                           OS CRIMES DA RUA MÔRGUE

                                               

Traz uma narrativa que precede os tempos de Sherlock Holmes, porém, transcende na mesma genialidade, onde temo o detetive Dupin que desvenda o caso de dois brutais assassinatos de mulheres na Rua Môrgue em Paris.

                                          MANUSCRITO ENCONTRADO NUMA GARRAFA

                    

Fala sobre um náufrago e sua suposta luta por sobrevivência ( o mesmo que escreve a carta ), descrevendo como uma embarcação o salva do mar e que ao mesmo tempo parece não enxergá-lo. Este é um conto que fica bem a critério do leitor analisar.

                                                                      ELEONORA

                                   


Com um narrador sem nome, que vive com sua prima e tia no Vale da Relva Multicor, um paraíso idílico cheio de flores perfumadas, árvores fantásticas e um rio chamado Rio do Silêncio, vale passa refletir a beleza do amor juvenil entre Eleonora e seu primo.

                                                               


                                                                 By Stela Bagwell


Fonte; Wikipédia, Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe