Filmes de 2015

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O REALISMO NÃO TÃO ABSURDO DE H. P. LOVECRAFT

   

Howard Phillips Lovecraft nasceu em Providence, Rhode Island, em  20 de agosto de 1890,  foi o escritor estadunidense que revolucionou o gênero de terror, atribuindo-lhe elementos fantásticos que são típicos dos gêneros de fantasia e ficção científica.
O princípio literário de Lovecraft era o que ele chamava de "Cosmicismo" ou "Terror Cósmico", que se resume à ideia de que a vida é incompreensível ao ser humano, e de que o universo é infinitamente hostil aos interesses do homem. Isto posto, as suas obras expressam uma profunda indiferença às crenças e atividades humanas. H.P Lovecraft originou o ciclo de histórias que posteriormente passaram a ser categorizadas no denominado Cthulhu Mythos e também desenvolveu o fictício grimório Necronomicon, supostamente vinculado ao astrônomo e ocultista britânico do século XVI, John Dee. Ao decorrer de suas criações, Lovecraft produziu um panteão de entidades extremamente anti-humanas com as quais, nas suas histórias, geralmente os seres humanos se podem comunicar através do Necronomicon.

                         

Os seus trabalhos expressam uma atitude profundamente pessimista e cínica, muitas vezes desafiando os valores do Iluminismo, do Romantismo, do Cristianismo e do Humanismo . Os protagonistas de Lovecraft eram o oposto dos tradicionais gnose e misticismo por momentaneamente anteverem o horror da última realidade e do abismo.
Era assumidamente conservador e anglófilo (o que pode ser observado em seu poema An American To Mother England , publicado em janeiro de 1916), o que explica o porquê de ter sido habitual no seu estilo o emprego de arcaísmos e a utilização de vocabulário e ortografia marcadamente britânicos - fato que contribui para aumentar a atmosfera dos seus contos, pois muitos deles (por exemplo, O caso de Charles Dexter Ward) contêm referências a personagens que viveram antes da independência das Treze Colônias, bem como a estabelecimentos comerciais existentes entre os séculos XVII e XVIII.

Durante a sua vida, dispôs de um número relativamente pequeno de leitores, no entanto sua reputação verificou uma elevada gratificação com o passar das décadas, e ele, agora, é considerado um dos escritores de terror mais influentes do século XX. De acordo com Joyce Carol Oates, Lovecraft, como aconteceu com Edgar Allan Poe no século XIX, tem exercido "uma influência incalculável sobre sucessivas gerações de escritores de ficção de horror" , Stephen King chamou Lovecraft de "o maior praticante do século XX do conto de horror clássico.
Muitos dos trabalhos de Lovecraft foram directamente inspirados por seus constantes pesadelos, o que contribuiu para a criação de uma obra marcada pelo subconsciente e pelo simbolismo. As suas maiores influências foram Edgar Allan Poe, por quem Lovecraft nutria profunda afeição, e Lord Dunsany, cujas narrativas de fantasia inspiraram as suas histórias em terras de sonho. Suas constantes referências, em seus textos, a horrores antigos e a monstros e divindades ancestrais acabaram por gerar algo análogo a uma mitologia, hoje vulgarmente chamada Cthulhu Mythos, contendo vários panteões de seres extra-dimensionais tão poderosos que eram ou podiam ser considerados deuses, e que reinaram sobre a Terra milhões de anos atrás. Entre outras coisas, alguns dos seres teriam sido os responsáveis pela criação da raça humana e teriam uma intervenção direta em toda a história do universo.
Lovecraft é talvez um dos poucos autores cuja obra literária não tem meio-termo: volta-se única e exclusivamente para o horror, tendo como finalidade perturbar o leitor, depois de atraí-lo para a atmosfera, o ambiente, o clima daquilo que lê. Ele parte de uma situação muitas vezes aparentemente banal: De um asilo particular situado em Providence desapareceu um jovem pesquisador… É assim que começa o seu único romance, O caso de Charles Dexter Ward - para ir mostrando, aos poucos, o resultado da pesquisa que o citado Charles fizera tentando encontrar um seu antepassado que havia sido obscurecido propositadamente…

                             

Quando o livro termina, ficamos sabendo o porquê do desaparecimento do pesquisador, além de descobrir que este seu antepassado, Joseph Curven, também se dedicava a pesquisas, estas de magia negra, necromancia e ressurreição de seres inomináveis, entre os quais ele próprio.
Um dos ingredientes da fórmula lovecraftniana para seduzir o leitor é o uso da primeira pessoa: a maior parte de seus contos, entre eles as obras-primas primordiais O chamado de Cthulhu, Um sussurro nas trevas, A cor que caiu do céu, Sombras perdidas no tempo e Nas montanhas da loucura. Algumas vezes, todos os acontecimentos são vividos pelo narrador, como em Sombras perdidas no tempo; outras vezes, o narrador convive com algumas personagens e toma parte dos fatos (em geral, a pior delas).

  

A expressão Cthulhu Mythos foi criada, após a morte de Lovecraft, pelo escritor August Derleth, um dos muitos escritores a basearem suas histórias nos mitos deste. Lovecraft criou também um dos mais famosos e explorados artefactos das histórias de terror, o Necronomicon, um fictício livro de invocação de demónios escrito pelo, também fictício, Abdul Alhazred, sendo até hoje popular o mito da existência real deste livro, fomentado especialmente pela publicação de vários falsos Necronomicons e por um texto, da autoria do próprio Lovecraft, explicando a sua origem e percurso histórico.
É importante salientar que Lovecraft foi o autor de "O horror sobrenatural na literatura", que ainda é o mais importante ensaio sobre o género, mesmo tendo se passado mais de setenta anos da sua publicação; o surgimento, posteriormente, de autores como Robert Bloch e Stephen King não alteram este fato.

Histórias em Quadrinho

                                           Conan

                             

Lovecraft foi amigo de Robert Howard. criador de Conan e Kull. Quando foram lançados, essas personagens eram publicadas apenas em forma de contos nas pulp magazines. A popularização de Conan a partir do lançamento do filme Conan, o bárbaro, impulsionou as suas publicações em banda desenhada (história em quadrinho no Brasil). Muitas das melhores histórias de Conan contêm inúmeras referências a personagens criados por Lovecraft, em algumas, chega mesmo a aparece uma personagem, meio Deus meio Demónio, referência à série Cthulhu Mythos.

                                      Martin Mystère

                                          

Criado por Sergio Bonelli, esta personagem é denominada "O Detective do impossível". Arqueólogo nada convencional, tem um assistente de nome Java, membro de uma tribo de homens de Neanderthal que sobreviveu na Mongólia e usa uma "arma de raios" que teria sido forjada na Atlântida. No Brasil, a editora globo publicou 13 edições com Martin Mystère. Nas edições 4 - A Estirpe Maldita; 5 - A Casa nos Confins do Mundo e 6 - Crime na Pré-história, as personagens de Bonelli enfrentam situações descritas em dois contos lovecraftnianos (Os sonhos da casa das bruxas e Nas montanhas da loucura), a tal casa no fim do mundo teria sido habitada pelo próprio Lovecraft, e Martin Mystère e seus amigos conhecem um pintor de nome Pickmann (protagonista de "O modelo de Pickman").

                                Kishin Houkou Demonbane

                                     

O anime desenvolvido pela Nitroplus e exibido no Japão em 2006 utiliza elementos das histórias lovecraftianas em seu enredo como o necronomicon que é interpretado pela personagem Al Azif além de vários mecha(robôs gigantes onde é preciso que pessoas o pilotem dentro dele) baseados nos monstros de cthulhu.Na verdade esse anime tem grandes influências das obras de H.P Lovecraft.

                                              Neonomicon

                               

Por muito tempo sussurrou-se sobre a nova história de terror que Alan Moore estaria escrevendo. A história é uma obra-tributo à H.P. Lovecraft. No encadernado, misteriosos assassinatos atraem a atenção do FBI e, durante a investigação, revelações indicam coincidências muito estranhas. Para chegar à verdade, um expert na revolucionária Teoria da Anomalia envolve-se em uma missão sob disfarce que o leva a um clube que abriga uma seita suspeita possivelmente envolvida com os crimes. Mas o rumo sobrenatural dos acontecimentos exige a presença de dois outros investigadores que serão levados ao extremo do horror e aos limites da realidade como a conhecemos. Com roteiro do mestre Alan Moore e arte do artista favorito do inglês, Jacen Burrow, Neonomicon é um pesadelo lovecraftiano que o deixará com medo de fechar os olhos, mas com mais medo ainda de abri-los. Lançado no Brasil pela Editora Panini em agosto/2012.

                                            Soul Eater



No mangá de Atsushi Ohkubo há uma série de personagens que fazem referência a obra de H.P. Lovecaft. No mangá os Braços Armados do Morte são conhecidos como os "Grandes Antigos" e representam a Ordem, Sabedoria, Ira, Força e o Medo, responsáveis por levar os humanos a insanidade. Um dos fragmentos dos "Grandes Antigos" faz uma clara referência ao mais famoso dos Grandes Antigos ao falar "óbvio polvolante" "óbvio lulante".

                      Os Melhores Contos de H. P. Lovecraft

                               Nas Montanhas da Loucura



Nas Montanhas da Loucura inspirou direta ou indiretamente várias outras histórias e historietas clássicas do mundo nerd. Delas, podemos destacar o filme The Thing de John Carpenter (1982), o episódio Ice da primeira temporada de Arquivo X e o filme X-Files – Fight the Future (1997). Estas produções abordam os mistérios ocultos no continente gelado da Antártida, maculado há milhares de anos pela presença alienígena. Nas Montanhas da Loucura também inspirou Hellboy, com a sugestão de Mike Mignola de que o continente gelado abrigou (ou pior, ainda abriga) várias divindades dormentes.
Nas Montanhas da Loucura inspirou o mais recente filme Prometheus (2012), no qual Ridley Scott usa e abusa dos recursos estilísticos explorados por Lovecraft. Assimetria e imagens que fogem totalmente da lógica ocidental são frequentemente abordados, com criaturas inclusive que fogem ao senso comum. A exploração se torna algo realmente desafiador, testando a cada momento as noções de mundo do leitor e telespectador. O mesmo pode ser dito de Alien (1979), no qual o criador de arte H.R. Giger explora por formas alternativas de vida inteligente além da humana. Mesmo sendo uma história que apresenta alienígenas, esqueça TUDO o que você sabe, já viu ou leu sobre seres extra-terrestres, pois Nas Montanhas da Loucura apresenta uma série de conceitos absurdamente novos e absurdamente perturbadores.
Nas Montanhas da Loucura é um excelente livro introdutório para aqueles que querem conhecer o universo criado por Lovecraft. Em todas as suas páginas o autor faz referências diretas a outros de seus escritos, mostrando a densidade e solidez de todo esse universo macabro. Só para constar, Nas Montanhas da Loucura leva o leitor a conhecer indiretamente Celephais (1920), The Call of Cthulhu (1928), The Shadow Over Innsmouth (1931), The Thing on the Doorstep (1933), The Dreams in the Witch House (1933) e The Haunter of the Dark (1935).
Nas Montanhas da Loucura é um prato cheio para aqueles que gostam de histórias de suspense no gelo, pois se passa em plena Antártida da década de 30. Uma expedição é montada para explorar as cercanias do vulcão ainda ativo Monte Erebus, referenciando precisamente lugares reais e que, por sinal, você pode visitar pelo Google Maps e Google Earth.

Uma excelente história de alienígenas: Apesar de muito já ter sido feito sobre alienígenas dentro da ficção científica, Nas Montanhas da Loucura antecede várias produções que só conheceríamos décadas depois de sua publicação, dentre as quais devo citar Eram os Deuses Astronautas (1968) de Erich Von Däniken. Apesar de eu achar um saco e uma asneira esse papo do Däniken, Nas Montanhas da Loucura antecede e introduz muito bem o conceito de que não ESTÁVAMOS sós (aham, passado…). A grande diferença entre as duas linhas de pensamento é que Lovecraft não coloca seus alienígenas em contato direto ou como responsáveis pelo surgimento dos humanos e suas “civilizações”, sendo nós apenas umas formiguinhas inconvenientes em todo o plano intergaláctico.

Um Sussurro nas Trevas

                             

Depois das enchentes de 1927 em Vermont, nos EUA, muitos habitantes da região relataram a presença de corpos de criaturas desconhecidas boiando nas águas. O folclorista Wilmarth, que vivia em outro estado, tenta acalmar os ânimos, explicando academicamente o fato de muitos terem visto esses seres tão semelhantes aos descritos nas antigas lendas da região.
No entanto, Wilmarth recebe uma carta muito interessante vinda de Vermont. Ela foi escrita por outro acadêmico, chamado Arkeley, e continha informações muito perturbadoras a respeito da suposta existência dos ditos seres tão estranhos. Aos poucos, na medida em que os dois vão trocando correspondências, as coisas começam a ficar mais estranhas e tenebrosas para Akeley, que vive em uma fazenda muito próxima a um denso bosque.
Quanto mais eles se empenham a desvendar os mistérios envolvendo as criaturas, mais eles se aproximam de realidades e forças nunca antes imaginadas por suas mentes humanas...Lovecraft é muito admirado por seu talento em criar histórias boas envolvendo horror, insanidade e ficção científica.
O seu "Horror Cósmico", como acabou por ser chamado, tem uma característica que eu considero da mais alta pureza quando se trata do horror como uma perturbação psicológica (um pouco diferente do "terror"): é a perturbação por sentir-se tão pequeno e obtuso, sem saber que existe uma infinidade de mundos, galáxias e corpos celestes muito além da nossa vaga compreensão, e imersos em "abismos de escuridão". (sem contar que esse imenso universo é regido por deidades horrendas, destrutivas e inimagináveis).
"Um Sussurro..." é uma prova de toda a primazia de Lovecraft ao desenvolver esse tema. A ficção científica mescla-se com o suspense e o horror e nos permite acompanhar a assustadora história de Wilmarth e Akeley. A cada descoberta o leitor se sente mais próximo, junto com o protagonista, de encontrar a verdade por trás de tudo.
Outra coisa bem legal é que a história acaba "se aproveitando" da grande descoberta que ocorreu no ano em que foi publicada, 1930: o (ex-)planeta Plutão foi "encontrado". Esse "último planeta do Sistema Solar" faz bastante sentido no desenvolvimento da trama .
Também somos agraciados, claro, com uma vasta quantidade de referências a outros seres do universo de Lovecraft e, por isso, acho que essa história é uma boa pedida para primeira leitura do autor, pois assim você acaba criando uma curiosidade para descobrir o que cada nome estranho, como Yuggoth, Azathoth, Nyarlathotep e Cthulhu realmente significam!
Ainda por cima, é uma história relativamente curta: 102 páginas. Mas existem dois problemas, um pequeno e um grande. O pequeno: o protagonista Wilmarth nos mostra cartas que foram recebidas de Arkeley, obviamente. Mas logo no início é dito que ele perdeu todas elas e por isso estava escrevendo-as de memória.
Tipo, as cartas não eram muito curtas. Como é que ele conseguia ser tão preciso ao reproduzir cartas daquele tamanho? Sei lá, isso me perturbou um pouco. 
O grande (ênfase em "grande"): em um ponto decisivo da história, Wilmarth faz algo simplesmente inexplicável. Pra falar sem spoilers, eu posso dizer que ele ficou parecendo aqueles personagens em filmes de terror que, depois de ouvir um grito de horror, vão pro porão da casa sem acender nenhuma luz.
Sério, foi um erro de estrutura meio feio e que poderia ter comprometido se a história não fosse tão envolvente...

O Chamado de Cthulhu

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Contando a investigação sobre um ser extraterrestre e dos "antigos" que na mitologia "lovecraftiana" seriam criaturas cósmicas, vindas à Terra antes desta abrigar a vida.
Cthulhu é um deus que nas primeiras páginas do conto aparece como um ídolo de argila quase indescritível, possuindo um culto multimilenar dedicado a trazê-lo de volta - um retorno que desencadearia o fim da Humanidade. O conto foi escrito em 1926 e foi publicado pela primeira vez na revista estadunidense Weird Tales ("Contos Estranhos") em fevereiro de 1928.
“Disseram ser adoradores dos Grandes Anciões que viveram eras antes do primeiro homem nascer e chegaram a um mundo ainda jovem vindos do céu. Os Anciões já haviam sucumbido, no interior da Terra e no fundo do mar; mas seus corpos mortos haviam revelado segredos nos sonhos dos primeiros homens, que iniciaram um culto imortal. Este era o culto que seguiam, e os prisioneiros afirmaram que sempre havia existido e sempre iria existir, escondido em longínquas regiões inóspitas e em lugares sombrios por todo o mundo, até que o alto sacerdote Ctlhulhu, de sua casa sinistra na grandiosa cidade submersa de R´Lyleh, caminhasse mais uma vez sobre a Terra e voltasse a impor seu jugo. Um dia Ctlhulhu lançaria seu chamado, quando as estrelas estivessem alinhadas; e o culto secreto estaria sempre esperando para libertá-lo.”
Tendo destaque como título da obra, e não por acaso talvez seu trabalho mais famoso, “O Chamado de Cthulhu” mostrou ao mundo a existência dos “Grandes Anciões”, seres ancestrais que anseiam por muito mais do que a humanidade seja capaz de suprir, muito embora alguns cultos e seitas idolatrem essas criaturas e não meçam esforços para providenciar o seu retorno. Aqui Lovecraft também nos deixa um de seus maiores legados em termos de conceitos imortais, uma verdadeira lenda urbana que rompeu as barreiras da ficção com a inclusão do Necronomicon, ou “O LIVRO DOS NOMES MORTOS” traduzido literalmente do latim. O tomo é apenas citado na obra de Lovecraft, ao contrário do que muitos acreditam, ele nunca escreveu um livro com esse título, nem nunca o encontrou , trata-se de um elemento de sua história, porém foi descrito com tanta riqueza de detalhes que até hoje muitos afirmam que ele de fato teve acesso a esse livro de magia negra confeccionado com pele humana e escrito à sangue…
Se essa história é mesmo real, Lovecraft a levou para o túmulo.
Talvez um dia a verdade venha à tona…

O Caso de Charles Dexter


O Caso de Charles Dexter Ward (em inglês The Case of Charles Dexter Ward) é um breve romance escrito por Howard Phillips Lovecraft no início de 1927, mas não foi publicado durante a vida do autor.
O romance conta a história do jovem Charles Dexter Ward, apreciador da arqueologia, que em 1918 se envolveu no passado, devido à sua fascinação com a história de seu tetravô, Joseph Curwen (que havia deixado Salem para Providence em 1692, e adquirido notoriedade por sua assombração de cemitérios, a sua aparente falta de envelhecimento, e suas experiências químicas). Ward se assemelha fisicamente com Curwen, e tenta imitar as façanhas cabalísticas e alquímicas do seu ancestral, eventualmente localizando os restos mortais de Curwen e por meio de seus "sais essenciais", ressuscitá-lo. O médico de Ward, Marinus Bicknell Willett, torna-se envolvido nas ações de Ward, investigando o antigo bangalô de Curwen em Pawtuxet que Ward restaurou. Os horrores que Willett encontra e o cerne da identidade de Ward e Curwen, formam a articulação de horror em que o romance se move.
O livro é, na verdade, um relato e não uma narrativa. Conta a saga de um arqueólogo que descobre que um de seus antepassados era considerado bruxo pelo povo da época, devido ao seu comportamento excêntrico e por praticar atividades um tanto esquisitas. Sons de agonia vindos de sua casa, suspeitas de vampirismo e canibalismo, entre outras coisas, eram parte das histórias contadas. E Charles resolve investigar esse passado. Só não sabia que ia se envolver tão profundamente ao ponto de transformar-se fisicamente, mudar sua personalidade e suas ações. É aí que entra o protagonista central da trama, o Dr. Willet, contratado pelo Ward Pai para descobrir porque o filho mudou tanto e se pode declarar o rapaz como louco. O Dr. Willet segue, então, os passos de Charles. Negando colocar em cheque a insanidade dele, tenta ligar todos os fatos até chegar a um final chocante.
Por ser um relato e não uma narrativa, o livro se torna um tanto cansativo em algumas ocasiões. Nada muito grave. Só é esquisito, para quem não é acostumado, ler aquele texto corrido com raríssimos diálogos. Ainda assim, a trama se desenvolve muito bem, embora os momentos de real tensão só venham a acontecer perto do fim. Talvez tenha sido isso o que mais me decepcionou nessa estreia com Lovecraft. O horror supremo, o terror psicológico, ao menos em O Caso de Charles Dexter Ward não existiu.

A Sombra de Innsmouth

A Sombra de Innsmouth apresenta ao leitor os horrores de um universo onde aberrações monstruosas abalam as fundações da sanidade e ameaçam o futuro da espécie humana.
Terrivelmente instigante e fascinante. A Sombra de Innsmouth, com sua notória narrativa sufocante,  leva o leitor às sombras de submundos. Robert Olmstead, o narrador desta perfeita mistura de terror e fantasia, é o sujeito curioso que resolve investigar um assunto proibido, falado aos sussurros pelas pessoas: o estranho vilarejo de Insmouth. Sobre ele surgem os mais variados boatos, aterrorizantes e  mirabolantes, sobre as almas moribundas que por lá vivem, como eles tratam os estrangeiros com arrogância e o estado decrépito da cidadezinha portuária. O mais curioso que se falava era a aparência das pessoas de lá, que pareciam sapos sobre duas pernas. Mas tudo isso não passava de boatos, até Robert lá chegar e perceber o estado de desolação do malcheiroso lugar. Não via pessoas, apenas sombras que se esgueiravam entre os muros na presença de um estranho. Olhos brilhantes e ruídos esquisitos se escondiam no escuro. Mas ao cruzar o caminho de Zaddok Allen, velho bêbado e meio alucinado, Robert desencava e desenreda informações de uma história centenária que mais parece saída de algum conto sobrenatural. Mas teriam elas fundamento, ou eram invenção da mente alucinada do velho? Ao ser perseguido pela misteriosa população, Robert presencia cenas de puro horror, e a história do pacto de ganância com demônios marinhos e da lenta transformação daquelas pessoas em peixes abomináveis finalmente aparece aos seus olhos incrédulos. Mas no que ele mesmo se transformaria, isso ele jamais poderia ter previsto.

A Música de Erich Zann

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O som vindo do apartamento de um vizinho pode ser um transtorno, mas no caso de Erich Zann, um músico de talento inquestionável, a música produzida por ele toda a noite instigou não apenas a curiosidade do protagonista como o fez questionar sua própria sanidade. Investigar esse mistério lhe trará sérias consequências e a resposta para perguntas que deveriam permanecer para sempre sem resposta.
Seriam as notas musicais, chaves de acesso para dimensões insondáveis? Ou barreiras invisíveis usadas para barrar a passagem de seres inimagináveis até a nossa realidade? Qual partitura poderá nos destruir ou nos salvar?

O Assombro das Trevas

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Pela janela de casa, ele avista a torre de uma igreja de pedra. Escondida pela névoa, o local é evitado por todos, porém exerce um fascínio irresistível. Mas existe um motivo para as pessoas temerem o lugar, uma lenda antiga repleta de acontecimentos bizarros. Entre outros livros profanos, o Necronomicon parece confirmar os mitos. Que tipo de civilizações já podem ter aportado em nossa realidade, vindas das mais distintas dimensões? Eles vêm por vontade própria ou caem aqui por acidente? E se caíssem, onde buscariam refúgio? São bons, maus ou simplesmente querem voltar para casa?
O que acontece quando as regras mudam e nos deparamos com seres oriundos de distantes esferas? E se de repente pudéssemos ver com seus olhos estranhos, alterando a percepção de nossos sentidos, teríamos luz nas trevas e escuridão na luz? Se trocássemos de lugar com eles, teríamos compaixão da humanidade?

   A Cor Que Caiu do Espaço       

        

  Há pouco terminei uma nova história que pretendo lhe enviar na minha próxima correspondência. Ela tem lampejos quase poéticos, embora seja em boa parte realista, com uma ambientação prosaica ‘a oeste de Arkham’. Algo cai do céu e o terror se instaura. Tudo é narrado por um velho quarenta anos depois; e o título é ‘A Cor que Caiu do Espaço’.
Assim estava notificada a conclusão do conto, em 26 de março de 1927, em uma correspondência de H. P. Lovecraft.
“A cor que caiu do espaço” era considerada pelo próprio autor, história sem concisão e sem clímax. E assim o é, a narrativa segue do início até o final sem termos sabido onde foi o ponto máximo. Mas não é por isso que deixa de ser interessante, e muito menos, deixa de ser valiosa. A história foi um marco na transição de Lovecraft à ficção científica, cheia de experimentalismos e surreal.
Particularmente, sou admiradora da mente febril de Lovecraft, no que tange sua capacidade de mexer com o sobrenatural de forma majestosa. A história nos prende até o final, eu sempre fico com a respiração suspensa e ávida pelo que vem adiante. Bem, é a história sobre uma “cor”, que ninguém soube descrever com palavras ou sentimentos humanos, que chegou junto com um suposto meteoro, ninguém sabe da onde, de matéria desconhecida. A cor era como uma fumaça que avançava sobre o local, aos poucos dominando a vida que ali existia. Sua “névoa” envolvia os corpos, e a cor transformava tudo o que era vivo em coisas sobrenaturais, em corpos cinzentos e frágeis, ou conferindo cores inumanas aos rostos já moribundos afetados pela terrível ameaça; arrastava-se para o fundo do poço com os corpos mortos e se desmanchando, contaminava as águas, e ia tomando conta, lentamente, de cada pedaço da mórbida terra, transformando tudo com seu terrível espectro.
Bem, esse seria o “miolo” da história, e embora não haja grandes novidades sobre a origem ou a definição da cor, a narrativa não deixa nada a desejar, rica em detalhes e descrições, como é comum em Lovecraft, e ele utiliza-se se um jogo de palavras para tentar definir a indecifrável "cor", que não é feita de matéria alguma. Além do uso do "extraterrestre" fora do que estamos acostumados: seus aliens não são bichinhos verdes com cabeça grande, mas têm formas indefiníveis e indefinidas, e por isso, ao nos jogar para fora do senso comum, somos apanhados na sua rede de fantasia. No final chegamos com aquela sensação de que tudo se passou ali do nosso lado, numa cidade vizinha...

O Horror de Dunwish


   Alguns estudiosos (assim como o próprio Howard Phillips Lovecraft) crêem que o medo é a emoção mais antiga e primordial do ser humano, uma herança de nossos antepassados preservada até hoje. O medo seria suscitado nos homens primitivos pela natureza e pelas condições do ambiente, capazes de causar dor ou prazer. Inclusive, há teorias de que os medos mais comuns na mente humana (o de quedas e o de cobras) são provas factuais desta herança.
Apesar de ser ficcional, O Horror de Dunwich desperta no leitor o tipo de medo mais intenso e poderoso, existente na humanidade desde tempos imemoriais: o medo do desconhecido. O autor tem sido reconhecido nas últimas décadas por explorar em suas obras um horror que envolve “Coisas que os Homens Não Devem Saber”, verdades tão terríveis que o simples vislumbre delas pode levar à loucura ou à morte.
O conto se inicia descrevendo o povoado de Dunwich, de maneira rica e consistente, ressaltando a decadência da região e os mistérios que a cercam. A verossimilhança utilizada por Lovecraft faz com que Dunwich seja plausivelmente real, quase palpável, ao mesmo tempo em que fomenta no leitor uma espécie de repulsa pelo povoado e por alguns habitantes, fazendo com que este sinta uma atmosfera de malignidade devido aos mitos que lhe são apresentados. Mas Lovecraft produz, ao mesmo tempo, certa hesitação no leitor, ao afirmar que as histórias sobre Dunwich são “obsoletas e ridículas, pois são transmitidas desde tempos muito antigos”.
É nesse cenário intrigante que nasce o estranho Wilbur Whateley. Filho de uma mulher albina e deformada e sem pai conhecido, Wilbur nasceu com a pele escura e feições caprinas. Seu desenvolvimento acelerado era notavelmente absurdo para os padrões humanos, assim como sua inteligência; começara a falar com apenas onze meses e sua expressão facial, com nariz firme, lábios caprinos e orelhas alongadas, dava-lhe um ar ao mesmo tempo maduro e animalesco. Tais fatos, unidos aos boatos de que seu avô praticava magia negra utilizando livros sombrios, causavam nos habitantes da região um temor incontido.
Devido ao nascimento de Wilbur, o Velho Whateley modifica sua rotina e seu humor, passando a ostentar certa prepotência e a agir de maneira dissimulada. Ele acaba por realizar mudanças na estrutura do sítio da família; apesar da demência aparente, sua carpintaria mostra resultados de cálculos precisos. O avô de Wilbur também passa a comprar gado constantemente, embora não se perceba aumento em seu rebanho. Os cães detestavam Wilbur, atacando-o sempre que deles se aproximava, e os habitantes
passaram a detestá-lo – e a temê-lo – com mais intensidade quando Wilbur gritou o nome da
entidade sinistra Yog-Sothoth no meio de um círculo de pedras, segurando um livro aberto.
Algumas vezes, o menino balbuciava em linguagem desconhecida e cantava hinos bizarros, que
assustavam consideravelmente quem ouvisse. A narração desses acontecimentos perturbadores vai intensificando no leitor as sensações de repulsa e de medo anteriormente despertados com a descrição de Dunwich e de seus moradores. A insólita família Whateley é a desencadeadora de um sentimento que, ao mesmo tempo, é terrível e envolvente, pois incita a continuação da leitura para que encontremos determinadas respostas, mesmo que para isso seja necessário “temermos” cada vez mais.
Os anos seguintes descritos no conto são marcados por episódios cada vez mais obscuros e
pela morte do velho Whateley, bem como o desaparecimento da mãe de Wilbur; com a aparência completamente madura e cada vez mais horrenda, o menino passa a trocar correspondências com bibliotecas de prestigiadas universidades, até que se dirige à universidade Miskatonic em busca do volume de um livro antigo e poderoso: o Necronomicon, de autoria do árabe louco Abdul Alhazred. Seus esforços foram impedidos pelo bibliotecário e professor Dr. Henry Armitage, que proibiu o empréstimo ou mesmo a cópia do livro, tomado pelo sentimento de aversão que a estranha figura de Wilbur e o volume causavam.
A narrativa atinge seu auge com a invasão de uma grotesca criatura à universidade e a busca em decifrar as intenções de Wilbur. A partir daí, a tentativa desesperada de Armitage e seus colegas de impedir o avanço de uma monstruosa entidade faz com que o leitor acompanhe a
narrativa com adrenalina e temor “apocalípticos”. Interessante ressaltar que, desde o início da narrativa, o narrador revela que haverá um acontecimento de horror, instigando o imaginário do leitor e o conduzindo a um final que traz à tona a verdade sobre os mistérios que sempre cercaram os Whateley e a natureza do ser que Armitage acaba por enfrentar.
Os fatos revelados de forma gradativa e a teia consistente de elementos fantásticos são fórmulas interessantes para incitar no leitor um medo crescente do desconhecido, que encontra seu ápice com a revelação do horror que sempre foi sentido pelos habitantes de Dunwich – e que passa também a ser compartilhado por nós, leitores.  

                                       Nyarlathotep


Nyarlathotep (O Caos Rastejante) é uma divindade maligna no universo fictício dos Mitos de Cthulhu, criado por H. P. Lovecraft. O personagem apareceu primeiramente no poema em prosa com o mesmo nome escrito no ano de 1920 por Lovecraft. Mais tarde, foi mencionado noutras obras do mesmo escritor e de outros autores na área de fantasia e ficção-científica.
O nome desta divindade é distinto pelo seu sufixo -hotep, que dá ao nome um tom egípcio antigo. Apesar disto, "hotep" significa "estar em paz, satisfeito" em egípcio.
Na sua primeira aparição em "Nyarlathotep", ele é descrito como um "homem alto e moreno", semelhante a um antigo faraó egípcio . Nesta história, ele vagueia pela Terra, reunindo legiões de seguidores - o narrador da história entre eles - , através de demonstrações de instrumentos estranhos e aparentemente mágicos. Estes seguidores perdem a noção do mundo à sua volta, e, durante a narrativa cada vez menos segura, o leitor fica com uma impressão do colapso do mundo. A história termina com o narrador fazendo parte de um exército de servos para Nyarlathotep.

Nyarlathotep aparece subsequentemente como personagem de grande importância em "À Procura de Kadath" (1926/27), em que, mais uma vez, se manifesta sob a forma de um faraó egípcio quando confronta o protagonista Randolph Carter.

Em "Os Sonhos na Casa das Bruxas" (1933), Nyarlathotep aparece a Walter Gilman e à bruxa Keziah Mason (que fez um pacto com a entidade) sob a forma de "o 'Homem Negro' do culto às bruxas, um avatar de pele negra do Diabo descrito por caçadores de bruxas.

Nyarlathotep também é mencionado em "As Ratazanas nas Paredes", como um deus sem face nas cavernas do centro da Terra.

 

Finalmente, em "O Habitante da Escuridão" (1936), o monstro noctívago de asas de morcego e tentáculos, habitando no campanário da igreja da ceita Starry Wilson, é identificado como outra manifestação de Nyarlathotep.
Apesar de Nyarlathotep aparecer como personagem em apenas quatro histórias e dois sonetos (mais do que qualquer outro deus de Lovecraft), o seu nome é mencionado com frequência em outras obras, tais como "Sussurros nas Trevas" e "Sombras Perdidas no Tempo".
Embora haja similaridades no tema e no nome, Nyarlathotep não toma parte na obra de Lovecraft "O Rastejante Caos" (1920/21), escrita em colaboração com Elizabeth Berkeley.
Numa carta escrita a Reinhardt Kleiner, em 1921, Lovecraft relatou um sonho que tivera - descrito como "o mais realístico e horrível [pesadelo] que eu já experienciei desde os meus dez anos" - , que serviu como base do seu poema em prosa "Nyarlathotep". No sonho, ele recebeu uma carta do seu amigo Samuel Loveman que dizia:

Não deixes de ver Nyarlathotep se ele vier a Providence. Ele é horrível - horrível para lá de tudo o que possas imaginar - mas maravilhoso. Ele caça um para horas mais tarde. Eu ainda estremeço com o que ele mostrou.


Lovecraft comentou:

" Eu nunca tinha ouvido o nome Nyarlathotep antes, mas pareci compreender a alusão. Nyarlathotep era uma espécie de director de circo itinerante ou conferencista que se mantinha guardado em salões públicos e despertou um medo e discussão muito difundidos com as suas exibições. estas exibições consistiam em duas partes - primeiro, uma horrível - possivelmente profética - bobina de cinema; e mais tarde algumas experiências extraordinárias com aparelhos eléctricos e científicos. Quando recebi a carta, pareci lembrar-me que Nyarlathotep estava já em Providence... Pareci lembrar-me que pessoas me tinham sussurrado em receio dos seus horrores, e avisado para não me aproximar dele. Mas o sonho de Loveman decidiu-me... Enquanto saía de casa vi multidões de homens a deambular pela noite, todos murmurando receosamente e curvados numa direcção. Juntei-me a eles, medroso, contudo, ansioso para ver e ouvir o grande, o obscuro, o indescritível Nyarlathotep"

Will Murray especulou que esta imagem onírica de Nyarlatohep pode ter sido inspirada pelo inventor Nikola Tesla, cujas concorridas palestras envolviam experiências extraordinárias com aparelhos eléctricos, e quem muitos viam como uma figura sinistra .
Robert M. Price propõe que o nome Nyarlathotep pode ter sido sub-conscientemente sugerido a Lovecraft por dois nomes de Lord Dunsay, um autor que ele muito admirava. Alhireth-Hotep, um falso profeta, aparece em "Os Deuses de Pegana" de Dunsay, e Mynarthiep, um deus descrito como "furioso" em "A Mágoa da Procura"


Nyarlathotep difere dos outros seres em numerosos sentidos. A sua maioria está exilada nas estrelas, como Yog-Sothoth e Hastur, ou a dormir e a sonhar como Cthulhu; Nyarlathotep, por sua vez, é ativo e frequentemente caminha pela Terra sob a forma de um ser humano, normalmente como um homem alto, esguio e alegre. Tem "mil" outras formas, na sua maior parte tidas como sendo loucamente horrorosas. A maioria dos Deuses Extraterrestres tem os seus próprios cultos a servi-la; Nyarlathotep parece servir esses cultos e tratar dos seus assuntos na sua ausência. Enquanto grande parte dos outros usa linguagens extraterrestres, Nyarlathotep usa linguagens humanas e pode ser confundido com um ser humano. Acima de tudo, os Deuses Extraterrestres e os Grandes Antigos são frequentemente descritos como desatentos ou imperscrutáveis, em vez de malévolos - Nyarlathotep tem prazer na crueldade, é deceptivo e manipulador, e até cultiva seguidores e usa propaganda para alcançar os seus objetivos. Tendo isto em conta, ele é provavelmente o mais semelhante ao Homem de entre eles.
Nyarlathotep legaliza a vontade dos Deuses Extraterrestres e é o seu mensageiro, coração e alma; é também um servo de Azathoth, cujos desejos ele cumpre de imediato. Ao contrário dos outros Deuses Extraterrestres, causar loucura é-lhe mais importante e aprazível do que morte e destruição. Alguns sugerem que ele destruirá a raça humana e, possivelmente, a Terra igualmente.
m 1996, Chaosium publicou "O Ciclo Nyarlathotep", uma antologia dos Mitos de Cthulhu concentrada em obras referentes a ou inspiradas pela entidade Nyarlathotep. Editado pelo estudante de Lovecraft, Robert M. Price, o livro inclui uma introdução por Price localizando as raízes e o desenvolvimento do Deus das Mil Formas. Os conteúdos incluem:

                                      

"Alhireth-Hotep o Profeta" de Lord Dunsany
"A Mágoa da Busca" de Lord Dunsany
"Nyarlathotep" de H. P. Lovecraft
"O Segundo Advento" (poema) de William Butler Yeats
"O Silêncio cai nas Paredes de Meca" (poema) de Robert E. Howard
"Nyarlathotep" (poema) de H. P. Lovecraft
"Os Sonhos na Casa das Bruxas" de H. P. Lovecraft
"O Habitante da Escuridão" de H. P. Lovecraft
"O Titã e a Cripta" de J. G. Warner
"Santuário do Faraó Negro" de Robert Bloch
"Maldição do Faraó Negro" de Lin Carter
"A Maldição de Nephren-Ka" de John Cockroft
"O Templo de Nephren-Ka" de Philip J. Rahman & Glenn A. Rahman
"O Papiro de Nephren-Ka" de Robert C. Culp
"O Nariz na Alcova" de Gary Myers
"A Esfinge Contemplativa" (poema) de Richard Tierney
"Ech-Pi-El’s Ægypt" (poemas) de Ann K. Schwader   

By Stela Bagwell

Fontes: Wikipédia