Filmes de 2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

ANÁLISE DE DRÁCULA DE BRAM STOKER

   

Título original: Dracula
Ano: 1897
Autor: Bram stoker


Drácula (Dracula) é um romance de 1897 escrito pelo autor irlandês Bram Stoker, tendo como protagonista o vampiro Conde Drácula. Um dos mais famosos contos de vampiros da literatura mundial e fonte de inspiração para inúmeros outros romances que se seguiram.

                                                O Autor

                               

Um dos maiores romancistas de sua geração, Abraham "Bram" Stoker nasceu no ano de 1847. Irlandês de Dublin, começou a ver a escrita com uma grande paixão bem cedo, durante os anos de adolescência. Entre seus trabalhos, atuou como jornalista, diretor de peças teatrais e foi funcionário público. Apesar da graduação em matemática, começou a escrever histórias e, com o tempo, essa acabou se tornando sua principal atividade.
A obra mais conhecida de Abraham "Bram" Stoker é Dracula, com sua publicação no ano de 1897. Este romance é considerado um dos mais horripilantes sobre o tema dos vampiros. Bram Stoker baseou-se em Vlad, o Empalador, e escreveu um romance sombrio que já perpassou gerações e gerações de leitores. O sucesso do livro foi imenso, resultando em adaptações para outros tipos de mídia como cinema, séries televisivas e histórias em quadrinhos.
Na opinião de alguns críticos literários, Dracula de Bram Stoker é uma rara combinação entre uma trama extremamente bem construída, personagens fortes e um tema mórbido e lúgubre. Porém, na época de seu lançamento, recebeu críticas por se tratar de um livro baseado em uma história real, violenta e tétrica demais. Possíveis influências para a obra de Stoker são livros do século XIX: The Vampyre, de Polidori, e Carmilla, de Sheridan Le Fanu.
Após o sucesso de Dracula, Abraham "Bram" Stoker seguiu com sua carreira na literatura publicando Miss Betty, lançado em 1898, Os sete dedos da morte e The Man, respectivamente em 1903 e 1904. Porém, mesmo com nome que trazia de seu primeiro sucesso, estas obras foram consideradas mais fracas do que Dracula. A partir deste comento, tanto sua carreira como sua vida pessoal começam a declinar. Em 1905 ele tem um derrame cerebral e contrai um mal que afeta o funcionamento dos rins, a doença de Bright.
Pouco a pouco, sua saúde vai ficando mais debilitada. Mesmo assim, consegue a publicação de Personal Reminiscences of Henry Irving no ano de 1906. A obra era uma homenagem a Henry Irving, seu sócio e amigo de longa data. Em 1909 publica O Caixão da Mulher-Vampiro. Seu último romance publicado foi O Monstro Branco, de 1911.

Abraham "Bram" Stoker faleceu no dia 20 de abril do ano de 1912, na cidade de Londres (Inglaterra). Os direitos autorais sobre sua obra foram herdados por Florence Stoker, sua esposa. Ela permitiu que Hamilton Deane, diretor de teatro irlandês, adaptasse a obra de seu marido em uma peça. Após esta primeira adaptação, a obra de Stoker ficou ainda mais famosa. Outro diretor que se baseou nas páginas de Dracula foi Murnau, que lançou o filme Nosferatu em 1922.

 

"Drácula tem sido designado como vários gêneros literários, incluindo literatura de vampiros, ficção de horror e romance gótico. Estruturalmente, é um romance epistolar, ou seja, contada como uma série de cartas, entradas de diário, registros de bordo etc. Embora Stoker não tenha inventado o vampiro, a influência do romance na popularidade dos vampiros foi singularmente responsável por muitas peças de teatro, cinema, televisão e muitas interpretações ao longo dos séculos XX e XXI."
A história abre com a chegada de Jonathan Harker a um castelo em uma remota zona da Transilvânia, na Romênia. No castelo Harker conhece o excêntrico proprietário, o conde Drácula, em decorrência de negócios e aquisições de várias propriedades na Inglaterra.
Aos poucos Harker começa a perceber que há mais do que excentricidade naquela figura, há algo de estranho no anfitrião, algo de realmente assustador e tenebroso. Passada a inicial hospitalidade, Harker começa a entender que, mais do que um hóspede, é também um prisioneiro do conde Drácula.

Com um leitura nada fácil nem fluída e com uma  linguagem rebuscada e própria de romances do século XIX, a narrativa é epistolar, construída através de cartas, documentos e páginas de diários,  em primeira pessoa, sempre contando com o ponto de vista e a análise dos fatos através de vários personagens. Não há como não notar a semelhança com outra obra que também marcou época, Frankenstein de Mary Shelley, escrita quase um século antes de Drácula (1816-1817). Drácula é uma obra singular, e, preparem-se pois, leitores despreparados terão grande dificuldade de compreensão,  que irão desde desinteresse até o abandono completo da obra, pela concepção ultrapassada e desgastada com que poderão caracterizar o livro, porém, convenhamos,  a obra foi escrita em 1897 e, uma vez transposto estes primeiros obstáculos, sem dúvida, a leitura garante muitas sensações emocionantes, logo, é um livro prazeroso.
 A leitura de Drácula não deve ser feita com o intuito de querer saber mais sobre o vampiro, mas, como tudo começou e de como surgiu  a lenda. A leitura de Drácula é um estudo histórico e merece ser tratada como tal.  O mito do vampiro sempre esteve presente em praticamente todas as culturas,  sanguinário, misterioso, sexy e sedutor, perigoso e amoral, apaixonante e protetor, diversas  releituras do mito existem aos montes, mas podemos dizer  que tudo começou com esse livro publicado 1897, tornando-se o primeiro romance publicado onde a temática vampírica foi abordada , um clássico da literatura mundial, considerado a principal referência em se tratando do assunto. Segundo Stephen King, que prefaciou um dos melhores volumes de Drácula, que acompanha dois outros clássicos da literatura gótica, Frankenstein e O Médico e o Montro, Stoker nos oferece as mais notáveis cenas de terror, seu livro talvez seja longo, mas durante a leitura somos recompensados. Renfield, pacientemente, espalhando açúcar no parapeito da janela a fim de apanhar as moscas que mais tarde vai comer com toda a paciência dos malditos....a hóstia deixando uma cicatriz na fronte de Mina, a entrada no túmulo de Lucy, cada uma dessas cenas é inesquecível, e nenhum filme chegou a fazer-lhes justiça.

                                         

Acredito que quase todo mundo tenha visto e/ou lido alguma versão de Drácula na vida, certo? O enredo não deve ser muito mistério, mas mesmo assim darei uma ligeira  zapeada pelos plots desenvolvidos durante a trama.
Somos apresentados de cara ao jovem Jonathan Harker que devido a uma solicitação de seu empregador, viaja para Transilvânia. Lá ele serviria como uma intermediário na compra de algumas propriedades para o enigmático conde Drácula. Ao chegar no castelo do conde, com o passar dos dias Jonathan nota a estranheza do comportamento de seu anfitrião, e logo sua condição de prisioneiro torna-se evidente. Com o passar dos dias o jovem Harker vislumbra situações horrendas, como a referência ao roubo de pequenas crianças da vizinhança, que notadamente servem de alimento para as três belas e estranhas mulheres que vagueiam pela casa.
Jonathan tem uma noiva, a senhorita Mina Murray, com a qual frequentemente tenta se comunicar e após a posterior viagem do conde para Inglaterra e a libertação de Jonathan, os caminhos de todos acabam se cruzando na figura da melhor amiga de Mina, Lucie Westenra. Que atacada durante um de seus surtos de sonambulismo, acaba tornando-se um vampira tal qual o supracitado conde.



Van Helsing tornou-se um icônico personagem conhecido por caçar incansavelmente o vampiro. E ao não conseguir salvar a vida da jovem Lucie – que desenvolve uma predileção por crianças pequenas para seus uso como alimento após sua transformação – com a ajuda do ex-noivo da jovem, Jonathan e dois antigos pretendentes de Lucie, saem no encalço do assassino.
É aqui que a diferença mais gritante entre o Drácula escrito por Bram Stoker e qualquer adaptação cinematográfica ou televisiva que eu já tenha visto. Não existe romance entre Drácula e Mina, nada. Nem uma virgula!!! Ele na verdade se alimenta dela, por vingança. Para atingir os homens que o vinham caçando sem descanso.
Sei que para algumas pessoas isso pode ser uma decepção (ou não, sei de uma pessoa que com certeza aprova qualquer corte de romantismo em se tratando de vampiros), mas o que para mim normalmente seria um incomodo, porque um dos meus filmes favoritos de todos os tempos é o Drácula do Francis Ford Coppola e nele o amor por Mina é o motor condutor das ações do conde. Nesse Drácula de Bram Stoker, o autor se debruça na missão de mostrar as barbaridades de uma criatura sem alma e sem redenção, um monstro.
Em seu livro, observa-se que Bram Stoker está arrebatado pela tecnologia. Dr. Seward mantém um diário fonográfico, Mina Murray Harkey, usa uma máquina de escrever, invenção recentíssima naquela época. Van Helsing que falava um irritante subdialeto do inglês faz quatro transfusões de sangue ( 80 anos depois, apareceria de forma não-intencional esta série de operações, sem a análise do sangue ), mais tarde, Van Helsing, também trepana o louco Renfield à sua maneira.
Van helsing oferece um bom contraste a Victor Frankenstein no quesito reacionário, ambos são médicos, ambos são brilhantes, ambos estão na vanguarda de sua época, à medida que Mary Shelley vê seu médico brilhante como um homem perigoso e falho, Stoker, vê o seu como um homem gentil, bem humorado e, no fim, um verdadeiro herói. Drácula foi o motor ofegante dos últimos dias da sexualidade vitoriana, sempre houve e sempre haverá uma tendência a ver a ficção popular do passado como documentos sociais, os livros de Charles Dickens são um forte alvo desta tendência

Bram Stoker à sombra de seu vampiro

Não é raro que na literatura autor e obra tornem-se entidades tão aproximadas que muitas vezes é impossível separá-los. Bram Stoker e sua obra Drácula é um desses casos, onde criador e criatura são tão intimamente conectados que, ao se mencionar Stoker, lembramos automaticamente o vampiro que abriu o campo da literatura para seu mito.
Para que  Drácula saísse dos livros e aparecesse nas grandes telas do cinema não levou muito tempo: a primeira aparição de Drácula em uma produção para o cinema é, também, a sua mais polêmica adaptação: o filme Nosferatu, um filme de terror impressionista alemão, que foi lançado em 1922. O roteiro do filme é, com algumas poucas alterações, exatamente a mesma trama do livro de Bram Stoker, e é exatamente aí que residem os problemas com esta produção – Nosferatu é um filme baseado em Drácula sem a permissão dos herdeiros do autor; na ocasião de seu lançamento, sua viúva feito de maneira não autorizada por seus produtores.


Para evitar os processos legais cabíveis na Europa – já que na América do Norte Drácula sempre foi domínio público, por ter sido publicado sem as patentes requeridas –, a trama e os personagens do filme sofreram leves alterações, principalmente em seus nomes, ou papéis dentro da história. Conde Drácula se tornou Conde Orlok, a principal mudança dentro do filme, bem como a mudança de outros personagens chave, como Harker, que se torna Hutter; Mina, que se torna Ellen; e Van Helsing, que se torna Professor Bulwer; a essência dos personagens, no entanto, é exatamente a mesma, assim como a sua trama. Alguns outros personagens desaparecem, como Quincey, mas o seu papel não é chave para a resolução do enredo. Todos os personagens relevantes estão presentes, bem como todos os pontos chave da história contada, o que torna Nosferatu uma adaptação não autorizada de Drácula, com nomes trocados, em uma tentativa vã de parecer uma nova obra.



Ao longo dos anos, quando este filme alemão passou a ganhar mais popularidade, e foi, de maneira definitiva, ligado a Drácula de Bram Stoker, as legendas do filme começaram a utilizar os nomes originais da obra escrita, já que não havia mais razão para tentar disfarçar a adaptação. Como adaptação de obra para o cinema, no entanto, Nosferatu deixa bastante a desejar, mostrando que o escritor do século XIX teve mais ousadia em sua visão de vampiro do que os cineastas do começo do século XX, já que seu Drácula lembra muito mais os monstros desfigurados que antecediam Conde Drácula do que o aristocrata vampiro – as roupas descritas como elegantes nas páginas escritas por Stoker tornam-se túnicas longas e negras, e a beleza do vampiro que seduz as duas principais personagens femininas ganha contornos desumanos, com orelhas longas e feições que lembram morcegos.

                      

Em 1931 houve uma segunda adaptação de Drácula para o cinema: esta, legal e sem alterações de nomes, foi, na verdade, a adaptação de uma adaptação. O filme, que estrelava Bela Lugosi no papel de Conde Drácula, era uma adaptação de uma peça de teatro escrita por Hamilton Deane e John L. Balderston que, por sua vez, era uma adaptação do livro Drácula para o palco.
Nesta transposição do livro para o cinema, a trama também é mais simplificada, com a eliminação de alguns personagens, e um arranjo diferente de outros, mas é possível perceber no decorrer do filme que esta obra capta melhor a essência de Drácula, Mina e Harker do que a adaptação prévia, de 1922.
O mais memorável desta adaptação é, sem dúvidas, o sotaque de Drácula, marcadamente do Leste Europeu , e que é imitado até hoje, em performances caricaturadas deste vampiro. Seu figurino, a longa capa negra, a camisa imaculadamente branca, um certo charme no olhar e nas roupas impecáveis, certamente foram um passo na direção certa de colocar na tela o que Stoker tenta nos passar no papel: um aristocrata digno de nota, capaz de seduzir e se integrar à sociedade. O final, mais apressado e simples do que o visto no livro, também é um final feliz, em que Drácula é morto, e Mina e Harker vivem felizes para sempre.
Uma outra adaptação, esta datada de 1958, tenta retomar Drácula, mas traz um si diversas mudanças, tanto em cenário quanto em trama, que a tornam uma obra meramente inspirada no livro, mas não uma adaptação fiel, ou com a pretensão de assim ser. Neste filme, Mina é a esposa de Arthur Holmwood e cunhada de Lucy, que é a noiva de Harker – apenas pela posição diferente que cada um desses personagens ocupa na trama deste filme já é possível perceber o quanto ele difere da obra original. Mina é, ainda, a personagem chave para a derrota de Drácula, mas sua posição como esposa de Arthur muda a interpretação da obra.

                                  

De todas as concepções de adaptação para o cinema, a mais fiel é, na verdade, a mais recente: Drácula de Bram Stoker, um filme de 1992, se mantém tão fiel quanto é possível com a transição de páginas para cenas em cinema. Em seu elenco estão atores talentosos, que de fato compreenderam seus personagens, mostrando que o entendimento de cada psique do personagem é fundamental para uma boa adapta ção. Winona Ryder no papel de Mina, Keanu Reeves como John Harker e Anthony Hopkins como Van Helsing trazem uma realidade imensa à história, destacando seus personagens em meio ao desenrolar do filme. Gary Oldman, no papel de Conde Drácula, está impecável, sendo este papel mencionado por alguns críticos como seu melhor desempenho até então.
A única grande diferença entre filme e obra – exceto pelos detalhes que não puderam ser passados para a tela – é a relação entre Mina e Conde Drácula. Na obra original de Bram Stoker, o interesse de Drácula por Mina é puramente momentâneo – ele a deseja e a persegue, buscando-a como sua companheira, em parte por motivações próprias, e em parte para obter um certo senso de vingança contra Harker, que conseguiu escapar de seu castelo. Na transposição para o cinema em 1992, no entanto, a relação entre Drácula é Mina é maior do que apenas o interesse dele: Mina é a reencarnação da noiva de Drácula, que comete suicídio ao receber uma carta com a informação falsa de que seu noivo havia morrido. Ao voltar para casa, e descobrir sua amada morta e impedida de ser enterrada em terreno sacro por ter cometido suicídio, Drácula renega a igreja – em uma menção clara à Ordem dos Dragões – e se torna o primeiro vampiro, um ser imortal e terrível, movido pelo ódio e pela vingança.
Esse detalhe acrescentado cria um apelo maior com o público, trazendo à tona o fascínio pelos vampiros e simpatia pelo vilão da obra. Apesar de jamais mencionado no livro, o amor de Mina e Drácula não é completamente inovador e não fica deslocado no filme: ele aumenta e dá uma nova dimensão ao relacionamento dos dois personagens, criando uma atmosfera ainda mais tentadora e intensa quando os dois estão juntos em cena, e quando o desfecho da obra acontece, com seus aliados quase completamente destruídos, cabe a Mina matar Drácula: mas ela não o faz por raiva, ódio ou medo, mas por amor a ele, por querer dar um fim à sua existência amaldiçoada.
O romance acrescentado não diminui a riqueza da adaptação – fiel à personalidade dos personagens, incluindo todos os personagens centrais, desde o núcleo principal – Mina, Harker, Drácula, Van Helsing –, como também os personagens secundários de importância, como Lucy, Arthur e Quincey. A trama em si não sofre cortes, apenas ligeiras alterações, e o efeito final é uma adaptação digna do livro, com a grandiosidade que o clássico inspira e causando a imersão necessária e pretendida por Bram Stoker.

  

Um dos maiores motivos para o enorme sucesso de Drácula de Bram Stoker, de 1992, é sem dúvida o diretor: Francis Ford Coppola, que já havia trabalhado com filmes adaptados de livros, ainda é considerado um dos maiores diretores de cinema da história. O filme recebeu três Oscar: Melhor Figurino, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Maquiagem.

                                                              By Stela Bagwell

Fontes: http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=174252
http://www.spectrumgothic.com.br/literatura/autores/stoker.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Florence_Balcombe
http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/42/bram-stoker-a-sombra-de-seu-vampiro-nao-e-265217-1.asp