Filmes de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

O TERROR EM TAMANHO ECONÔMICO DE STEVENSON

  

                                                 O AUTOR:  ROBERT LOUIS STEVENSON

                                             

Nascido em Edimburgo em 1850, Robert Louis (originalmente, Lewis) Balfour Stevenson era filho de um próspero engenheiro civil. Seu pai desejava que ele seguisse sua profissão, porém a má saúde e a fraca disposição de seu filho significavam que teriam de decidir-se por uma carreira alternativa. Escolhendo o curso de Direito como um compromisso, Stevenson matriculou-se na Universidade de Edimburgo, porém sua crescente desilusão com a respeitabilidade presbiteriana da classe de seus pais conduziu a freqüentes discussões e ele distanciou-se da família, preferindo em vez disso levar uma vida boêmia. Sua fascinação pela vida do baixo mundo da cidade e pelos caracteres bizarros que nela encontrava forneceu um rico material para suas histórias posteriores. Em 1875, quando Stevenson completou seus estudos de Direito, já estava determinado a tornar-se um escritor profissional.
Quando ainda se encontrava no princípio da casa dos vinte anos, ele começou a sofrer de severos problemas respiratórios, que o clima escocês não fez nada para melhorar. Na tentativa de aliviar seus sintomas, ele passou grande parte de sua vida viajando para climas mais quentes; e foi enquanto vivia na França, em 1876, que conheceu sua futura esposa, Mrs. Fanny Osbourne, uma mulher dez anos mais velha do que ele. Em 1879, ele a seguiu até a Califórnia, viajando em um navio de imigrantes, e depois ambos se casaram, assim que o divórcio dela foi oficializado. As primeiras obras publicadas de Stevenson, Uma Viagem pelo interior (1878) e Viagens com um burro nas Cervennes (1879), baseadas em suas próprias aventuras, foram seguidas por um fluxo constante de artigos e ensaios.
Todavia, foi somente em 1883 que apareceu sua primeira obra de ficção extensa, A ilha do tesouro. Uma fase grave de doença, seguida por um período de descanso em Bournemouth, colocou Stevenson em contato com Henry James e os dois ficaram grandes amigos. O reconhecimento que Stevenson recebeu após a publicação de A ilha do tesouro cresceu com a publicação de O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde (O médico e o monstro) e Raptado, em 1886. Em 1888, ele levou sua família para os Mares do Sul, novamente em busca de um clima que melhor se coadunasse com suas condições de saúde. Após estabelecer-se em Samoa, ganhou reputação como contador de histórias, especialmente entre os nativos. Morreu de uma hemorragia cerebral, enquanto trabalhava em sua obra-prima inacabada, Weir of Hermiston, em 1894.

A criação calvinista de Stevenson e sua constante luta contra a má saúde conduziram à sua preocupação com a morte e o lado mais escuro da natureza humana, como é revelado em seu trabalho. A despeito da afirmação de Stevenson de que “a ficção é para o homem adulto o que o brinquedo representa para a criança”, ele havia, no final de sua vida, dominado uma enorme variedade de tipos de ficção, desde os contos de aventuras históricas e romances de espadachins até as histórias de horror em estilo gótico. Stevenson morreu em 3 de dezembro de 1894.

                                                                       A OBRA

A história de Stevenson baseou-se na vida dupla de um habitante de Edimburgo, na Escócia, chamado William Brodie: de dia ele era um respeitado marceneiro; à noite, roubava as casas dos moradores da cidade.
A história se passa em Londres, no final do século XIX, centro urbano com quatro milhões de habitantes. Devido ao grande contraste econômico entre os industriais (cada vez mais ricos) e os miseráveis (cada vez com menos oportunidades de emprego e vida digna), Londres passou a ser palco de inúmeros crimes horríveis. Justamente por isso, em 1829, foi criada a Scotland Yard, que se tornaria mais tarde reconhecida por sua eficiência em resolver crimes e por tomar parte das inúmeras páginas das histórias policiais inglesas.
Escrita para o grande público, que já conhecia este autor através do folhetim A Ilha do Tesouro, a novela, apesar da linguagem simples e de fácil entendimento, tem uma forma que privilegia o suspense. Os capítulos e o enredo, com traços de novela policial - um crime, um grande mistério e alguém tentando desvendá-los - se encaixam perfeitamente, de modo que todos os elementos da narrativa se esclarecem somente no desenlace da história.
Londres era a cidade de todos os vícios, do jogo à prostituição. Essa hipocrisia é um dos temas principais do livro. O Dr. Jekill, ilustre médico, percebe-se dividido entre duas personalidades, ambas, para ele, completamente verdadeiras. Uma é a do emérito doutor, filantropo respeitado, exemplo de conduta. A outra, reprimida durante toda a sua vida, é a do hedonista, que busca o prazer carnal, que comete crueldades e vilanias, sem responsabilidades. Busca, então, na ciência, maneira de resolver esse impasse. A poção que permite a transmutação entre as personalidades é, ao mesmo tempo, amostra das incríveis possibilidades abertas pela ciência em acelerada evolução e exemplo da angústia de não saber até onde ela poderia ir, já que a invenção subjuga o próprio cientista, que não pode mais controlá-la. Ainda que de forma não premeditada, Stevenson transporta para a literatura o debate político e social vigente (Karl Marx viveu em Londres de 1850 até sua morte, em 1883). Ao mesmo tempo que traz o progresso e a riqueza, a ciência traz a pobreza e a destruição, como se podia observar na própria Londres da época.

                         

A invenção do Dr. Jekill explicita ainda um tema importante relacionado à moral e à sociedade: o bem e o mal convivem dentro de cada ser humano. Mr. Hyde não ganha vida pela ingestão da beberagem, e sim é libertado do interior de Jekill, onde já vivia, embora reprimido. Não é difícil encontrar evidências de uma tese sobre o consciente e o subconsciente nas entrelinhas dessa obra de ficção do final do século XIX. Para isso, basta ler o último capítulo do livro em que o médico, num momento de lucidez, narra em uma carta todo seu trabalho e pesquisa dos últimos anos.

                                                                         2º PARTE

O escritor escocês Robert L. B. Stevensoncompôs uma fascinante obra de perene valor literário: The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1886), publicada no Brasil sob o título O Médico e o Monstro é uma história que discorre sobre o conceito do bem e do mal existente na espécie humana.
O livro pode ser visto como uma notável fonte de estudo para psicologia humana, envolvendo a compreensão das teorias estruturais da personalidade, conforme detalhado por Freud, além de simbolizar perfeitamente o indivíduo acometido pelo transtorno dissociativo de identidade, processo mental caracterizado pela desintegração do ego, popularmente conhecido como dupla personalidade.
O Médico e o Monstro tem como protagonista o Dr. Henry Jekyll, um generoso médico bem sucedido e amplamente respeitado por possuir possui um brilhante intelecto, mas que, em determinado momento, se conscientiza da duplicidade de vida que leva ao perceber a parcela de maldade que reside dentro dele.
Na novela, Dr. Jekyll consegue, por meio de seus experimentos científicos, criar uma fórmula (comparada com o álcool no decorrer do romance) que intervém no seu "normal" e desencadeia processos mentais e físicos dando origem a um ser misantropo de aparência grotesca e deformada. Através desta outra face de sua personalidade, ele pratica o mal sob o nome de Edward Hyde, livrando a figura do médico das críticas sociais.
Jekyll torna-se completamente dependente da mistura que utiliza para trocar de personalidade. Edward Hyde gradualmente se torna cada vez mais poderoso do que sua contraparte "boa", sendo descrito como lado mais agradável dos dois. Em última análise, é a personalidade dominada pela maldade que leva à queda do Dr. Jekyll e sua morte. Isto porque o médico, nas últimas fases de sua lucidez, reconhece o perigo que o Sr. Hyde representa para a sociedade e altruisticamente decide acabar com ele.
 A escolha de um médico como o personagem que se transformará num monstro assassino estabelece um paradoxo entre o crime que destrói uma vida e uma profissão que teoricamente se caracteriza pela luta contra a morte e a compaixão pelo ser humano, realçando o conceito de dualidade humana.

                                                                   3º PARTE

                                        

A história tem poucos personagens Mr. Utterson, Mr. Enfield, Hyde, Dr. Jekyll, Dr. Lanyon, Poole e outros que aparecem poucas vezes como Sir Danver Carew, outro empregado de Jekyll Bradshaw, Mr. Guest o grafologista e outros com pouca expressão.
O livro, possui varios adjetivos usados pelo autor para caracterizar os personagens que também são bem interessantes, como insano e bestial, creio que a para leitores iniciantes pode parecer difícil algumas palavras, mas não impedi o prazer em ler a história e ajuda este leitor a criar um repertório novo de palavras, a compreender leituras mais complexas, as quais surgirão ao longo de sua vida escolar e mesmo acadêmica. Outros exemplos: depravação, ordinariamente, alusão, crepitava, diáfana entre outras.
O último capítulo são as reflexões de Henry Jekyll sobre o que o motivou a criar o monstro a relação que o mesmo tem com a sociedade em que está inserido. Os conflitos pessoais causados pela necessidade de ser aceito na sociedade, nos obriga a agirmos, muitas vezes, de forma diferente do que desejamos, porém, precisamos para conviver. Não podemos fazer tudo que desejamos somos impostos por leis e/ou por acordos sociais a termos um comportamento regrado, se fugirmos destes não somos aceitos. Não podemos, em todas as situações, falarmos e agirmos como pensamos, por exemplo, batermos em alguém que muito nos irritou, se o fazemos temos que respondermos por esse ato.

Em minhas pesquisas achei uma excelente análise sobre este capítulo, infelizmente não tem o nome do autor: “Segundo as teorias de Dr. Jekyll, o homem, na verdade, não é apenas um, mas dois. Todo ser humano é dotado de duas naturezas completamente opostas equilibradas de acordo com sua saúde mental. Uma é boa, aquela que traz admiração das pessoas, compaixão dos mais velhos, elogios dos amigos e da esposa ou namorada; outra é má, aquela que é violenta, agressiva, mal-educada, feia e temida por todos. Quando bem distribuídas, com pequenas alternâncias de estado, o homem pode ser considerado normal, mas há os casos em que uma natureza se sobrepõe a outra, tentando se libertar. O problema torna-se grave quando quem alcança a liberdade é o lado negativo, gerando as fatalidades que estamos acostumados a presenciar nos noticiários.

                                                              Curiosidades:

                                    

A obra obteve tão grande sucesso que até os dias atuais o termo "Jekyll e Hyde" é utilizado pela sociedade científica como sinônimo de desordem de personalidade múltipla. Stevenson escreveu a história, supostamente sob um grande frenesi de  cocaína,  em um curto período de tempo (3 a 5 dias), baseada em um sonho que teve.  O livro também é utilizado como demonstração de dependência química, já que mostra a excessiva necessidade que Dr.Jekyll tem da droga que sintetizou.

                                                                 By Stela Bagwell

                                           Fontes: Análise Literária do Livro, L&PM EDITORES

SOBRE O FRANKENSTEIN DE MARY SHELLEY

   frankenstein-john-aslarona

“Muito já foi feito, exclamou a alma de Frankenstein – mais, muito mais eu farei; palmilhando as pegadas já impressas, vou ser o pioneiro de um novo caminho, explorar novas potências e desvelar para o mundo os mais profundos mistérios da criação”.

Escrito por Mary Shelley 1818, trata-se de um clássico eterno riquíssimo que merece ser relido e estudado pelos admiradores de obras de qualidade.  Shelley revela em um belo prefácio como surgiu a ideia da criação do livro,  onde, em uma visita ao amigo e também escritor Lorde Byron propôs que seus convidados criassem histórias de terror durante uma tempestade. O desafio foi aceito, assim nasceu a história da autora.

                     

O mito da criatura que se popularizou como Frankenstein já sofreu inúmeras intervenções através dos anos, sendo recontado inúmeras vezes por diversas mídias, mas, sua mais famosa versão cinematográfica foi a de 1931 estrelada pelo ator Boris Karloff.  Entretanto o roteiro do filme é muitíssimo diferente da narrativa de Shelley. Depois disso, várias foram as readaptações, paródias e homenagens. Não há como questionar a importância do personagem como ícone da cultura popular,  entretanto é importante não esquecer suas raízes literárias, de onde surgiu originalmente.
Com a polarização do personagem muitos elementos que nunca existiram no livro foram acrescentados à sua mitologia, como por exemplo os famosos parafusos no pescoço do monstro, que em sua versão cinematográfica eram usados para ajustar melhor a máscara ao rosto do ator.
No livro, temos um aprofundamento no personagem Victor Frankenstein, o criador e não a criatura, onde nos é contada parte de sua história, sua formação acadêmica e seu interesse pela ciência e pelos segredos que separam a vida da morte.  Não há um ostensivo castelo numa colina com um laboratório repleto de tubos e potes com órgãos humanos, tampouco uma maca sustentada por correntes que elevada a uma claraboia recebe a descarga elétrica de um raio durante uma tempestade, concedendo assim vida a criatura retalhada deitada sobre ela. Todos esses elementos existem apenas nos filmes. 

Em sua narrativa, Mary Shelley apenas nos explica que Victor Frankenstein conseguiu descobrir o segredo de gerar vida a partir de um corpo inanimado, um segredo que ele não ousa compartilhar com ninguém temendo que outros passem pela mesma maldição que lhe foi afligida; e que ainda que ele se dispusesse a ensinar a alguém sua técnica profana, o procedimento não poderia ser feito por mentes e mãos leigas tendo ele mesmo tido grande dificuldade, despendido muito tempo e sacrificado muito de saúde até obter êxito em sua experiência.
Victor também não é descrito como um cientista obcecado e insensível, mas um jovem sonhador, amoroso e muito ligado à sua família, vindo a sofrer um grande arrependimento pelo seu ato de criação e o pretenso mal que liberou de forma inconsequente no mundo. Em certa passagem ele revela:

“Ninguém pode ter ideia da angústia que senti durante o resto da noite, que passei, molhado e com frio, a céu aberto. Mas não senti inclemência do tempo; a minha imaginação estava ocupada com cenas de maldade e desespero. Considerei o ser que eu lançara em meio à humanidade e dotara de vontade e poder para perseguir seus objetivos de horror, como o que realizara agora, quase como se fosse o meu próprio vampiro, o meu próprio espírito liberto da tumba e forçado a destruir tudo o que me fosse caro”.
  

Diferente da imagem caricata difundida pelo cinema, no livro, o monstro é descrito da seguinte forma:

“Sua pele amarelada mal cobria o entrelaçamento dos músculos e das artérias; os cabelos eram de um negro lustroso e liso; os dentes, de perlada brancura; mas essas exuberâncias apenas serviam para formar um contraste mais medonho com seu rosto enrugado, seus lábios retilíneos  e negros e seus olhos aguados, que pareciam quase da mesma cor que as órbitas de um branco pardacento em que se encaixavam”.

A criatura é erroneamente chamada de Frankenstein por muitas pessoas, mas Victor nunca o nomeou de fato, referindo-se a ele apenas como “Demônio”, “Diabo” e coisas do tipo. Além disso, o monstro é possuidor de grande inteligência, dono de uma alma gentil e apreciador de poesia, muito embora o desprezo e maldade humana viessem a despertar nele uma fúria irrefreável que é, inegavelmente, também um traço característico dos seres humanos.
Grande parte da obra trata da disputa entre Victor e sua criatura, o embate entre eles, a relação de amor e ódio como a de um pai que rejeita seu filho e um filho que em busca da aprovação desse pai é capaz das piores atrocidades.  Ele então dedica sua vida a desfazer aquilo que ele julga ser um mal libertado por suas mãos no mundo, pondo um fim em sua própria criação, empreendendo uma jornada ao redor do mundo caçando a entidade a quem ele próprio trouxe à vida. Em seu juramento de ódio, Victor diz:

“Pela terra sagrada sobre a qual me ajoelho, pelas sombras que vagam ao meu redor, pela profunda e eterna dor que sinto, eu juro; e juro por ti ó Noite, e pelos espíritos que te governam, perseguir o demônio que causou esta desgraça, e até que ele ou eu pereça em combate mortal. Para tanto, eu preservarei a minha vida; para executar esta amada vingança vou mais uma vez ver o sol e pisar a verde relva, que se não fosse por isso desapareceriam para sempre da minha vista. E rogo a vós, espíritos dos mortos, e a vós, errantes ministros da vingança, que me ajudeis  e me conduzais em meu trabalho. Que o maldito e infernal monstro beba da agonia em grandes goles; que sinta o desespero eu agora me tortura”.
                                 
                            

O livro traz algumas histórias paralelas narradas por determinados personagens que nos ajudam a entender a evolução da trama como um todo.  Longe de ser um conto de terror superficial, o livro nos remete a uma leitura muitíssimo interessante, com um texto primoroso, a fonte de uma ideia que atravessaria as barreiras do tempo e muito além dos maiores devaneios de Victor Frankenstein, tornaria sua criatura imortal através da qualidade indiscutível de sua história e seu merecido lugar no hall das criaturas fantásticas mais conhecidas e aterrorizantes da literatura.


                                 Estrutura da obra 
                
3.1.Assunto: O assunto da obra Frankenstein é a produção da vida pelo homem, as responsabilidades do criador para com a criatura, e toda a questão ética e moral que esta situação desencadeia. A essência da história foi inspirada na lenda grega de Prometeu e a criação de vida na terra, que é o coração do clássico. Mas toda a repercussão deste fato que é representada no livro foi imaginada pela autora Mary Shelley.

 3.2.Mensagem: Duas importantes mensagens ficaram muito nítidas ao longo da leitura de “Frankenstein”. A primeira delas é a responsabilidade que o criador tem para com a criatura, que é um forte elo e não pode ser negada ou ignorada: é um reflexo do processo de criação, que deve ser respeitada. A segunda mensagem é a ética que uma situação como a apresentada no livro desencadeia. Até hoje há muita discussão e reflexão sobre o assunto, pois a ética está muito ligada com a reprodução da vida humana através de processos como a clonagem, por exemplo. Mesmo se o homem tiver todo o conhecimento e material necessário para fazer uma clonagem humana, na vida real, ele há de hesitar, exatamente pela questão ética. O homem que surgiria a partir daí levaria uma vida possivelmente infeliz, por não ter nascido normal, ou por ser diferenciado dos outros por esta questão, por ser uma cópia e somente isso.


 3.3.Enredo: A história começa com as cartas de Robert Walton, um viajante, à sua irmã Margareth. Ela serve como uma introdução à narrativa de Victor Frankenstein, pois este é resgatado pela tripulação de Walton e conta sua biografia ao primeiro. Começa na época em que nasceu, na Itália, fala  da história de seus pais e de sua irmãzinha adotiva, Elizabeth, e de sua amizade com Hery Clerval. Ele teve uma infância muito feliz em Genebra, capital da Suíça, e lar de sua família. Ao crescer ele vai estudar na Universidade de Ingolstadt, na Alemanha. Ele passa vários anos se aprofundando em seus estudos científicos no local. Em certa altura ele resolve, a partir de seus conhecimentos sobre a eletricidade, dar vida a um ser humano com cargas de energia, costurando partes de cadáveres. A ideia toma conta de sua mente ele começa a colocá-la em prática, se dedicando com afinco, dando toda sua energia, embalado por um impulso quase doentio. Ao terminar sua obra e vê-la finalmente abrindo os olhos, Victor cai em si e foge do local tomado por um terror mortal. Ele adoece e é amparado por seu amigo Clerval que tinha chegado para visitá-lo. Ele evita voltar para a Universidade para não reencontrar a horrenda criatura que criara.
Frankenstein já estava se recuperando, depois de muitos meses, quando recebeu a notícia da morte de seu irmão caçula Willian, e decide voltar para sua terra. Uma jovem mulher chamada Justine, que trabalhava para sua família e fora criada por ela, sempre muito querida, estava sendo acusada do assassinato do garoto. Victor sabia que tinha sido obra do monstro que criara.
Algum tempo depois, Justine já havia sido julgada e condenada a morte, Victor estava em um de seus passeios pelos arredores de casa, para aliviar o peso na consciência, quando encontrou a criatura. Ela insistiu para contar sua história, desde que acordou pela primeira vez: passara por muitas dificuldades e sofrera por ter sido abandonada por seu criador. Agora ela veio reivindicar seu direito para com o criador, pedindo que Victor fizesse para ele uma mulher da mesma espécie que lhe fizesse companhia.
     Depois de um ano, quando Victor já havia se encorajado a iniciar a segunda criação, e estava no início dela, destrói tudo que havia iniciado pensando nas possíveis (e prováveis) futuras consequências de seu ato. Ao ver isso a criatura o ameaça e promete fazer de sua vida infeliz e miserável.
     Quando Victor resolve voltar para casa, acaba chegando a uma ilha em que é acusado de matar um jovem que fora encontrado enforcado: era seu amigo Henry Clerval. Ele adoece novamente, vai preso pelo  crime, e passa vários meses esperando o julgamento, e é finalmente absolvido.
    Frankenstein volta para casa a fim de proteger sua família, mas não consegue evitar a morte de sua querida Elizabeth, que é enforcada após o casamento de ambos, e de seu pai, que não resiste à notícia da morte de sua querida sobrinha. Desde então Victor tem seguido a criatura por todas as partes do mundo, sentindo fome e frio, calor e desespero, com o único intuito de derrotar a criatura que criara e que lhe infligira o desespero e a infelicidade, e que poderia seguir pelo mundo alastrando a crueldade e cometendo crimes hediondos. Neste ponto ele encontrou o barco de Walton e foi salvo naquele local ermo, em que somente barcos de exploração passariam.
    O término da narração de Victor é sucedido pela continuação da correspondência de Walton para sua irmã. Ele conta que o cientista vem a falecer algumas semanas mais tarde, lhe causando muita tristeza. Logo após este ocorrido ele flagra a criatura visitando o cadáver de Frankenstein, e este, com o coração tomado de amargura, conta que resolveu se matar e acabar com a solidão com que foi predestinado a viver. Todos os assassinatos que cometeu para se vingar de seu criador lhe faziam sofrer imensamente de remorso, mas os cometeu para mostrar ao criador uma pequena parte do que havia sentido.

 3.4.Justificativa do título: O título do livro é Frankenstein, ou o Prometeu moderno. O primeiro nome se refere à família Frankenstein, da Suíça, que é a família de Victor, o cientista que protagoniza a história. Este era o nome de uma cidade localizada na Silésia, que dera o nome à família. Há quem diga que este nome foi escolhido por Mary Shelley em homenagem a um amigo que era membro dessa família.
  Prometeu moderno porque é uma recriação da lenda grega de Prometeu, que contava sobre a criação dos animais e da vida na Terra. Nessa lenda Prometeu, que era somente um titã, inferior aos outros deuses do Olimpo, rouba o fogo, que era considerado sagrado e pertencia somente aos deuses, para dar aos humanos. Ele teve que sofrer uma severa punição por abusar de seus poderes para com a gestão da vida.

  

 3.5.Verossimilhança: Um tipo de verossimilhança que está muito presente na narração é a citação de obras e de pensadores que eram célebres na época em que se passou a história. Aqui estão algumas delas:
 Þ    “O velho marinheiro”, poema de Samuel T. Coleridge:

" Como alguém que, numa estrada solitária,
Anda com medo e apreensão
E, tendo uma vez se voltado, segue em frente
E não olha mais para trás;
Porque sabe que um demônio terrível
Segue-o bem de perto".

Þ    Cornelius Agrippa,Paracelso e Alberto Magno;
Þ    “O vigário de Wakefield”, poema de Oliver Goldsmith;
Þ    “Mutability”, poema da própria Mary Shelley:

" Descansamos, os sonhos nos envenenam o sono.
Levantamos; um pensamento fortuito
corrompe-nos o dia.
Sentimos; imaginamos ou raciocinamos;
sorrimos ou choramos
Aceitamos nossos pesares, ou afastamos nossas preocupações;
Tanto faz: pois a alegria, assim como a tristeza,
Sempre encontra livre o caminho de partida
O dia de ontem talvez não venha a ser
como o amanhã;
Nada permanece, exceto a inconstância".

Þ    “Ruínas dos impérios” do Conde de Volney;
Þ    “Paraíso perdido” de John Milton;
Þ    “Vidas paralelas” de Plutarco;
Þ    “Os sofrimentos do jovem Wether”, de Goethe;
Þ    “Tintern Abbey” de Wordsworth:

" A catarata ruidosaPersegui-o como uma paixão: a rocha alta,A montanha, e a floresta densa e sombria,Suas cores e suas formas eram-lhe, então,Como um desejo, seu sentimento e seu amorNão necessitavam de chatmes ulterioresCriados pela razão, ou qualquer interesseAlém do que seus olhos contemplavam."


Þ    “Orlando furioso” de Ludovico Ariosto;
Þ    O Rei Arthur e a Távola redonda.
 Também no texto são citados personagens e acontecimentos históricos. Para exemplificar: O domínio austríaco de Milão;
Þ    John Hampden, importante político inglês durante a revolução inglesa;
Þ    O rei Carlos I da Inglaterra.

 3.6.Personagens:  As personagens principais são Victor Frankenstein  a criatura, Elizabeth Lavenza e Henry Clerval. Victor é um homem estudioso, de bons princípios, com grandes ambições científicas, que também é muito ansioso e agitado.A criatura a princípio é um ser que não possui nenhum conhecimento sobre o mundo ou malícia, mas possui sentimentos tipicamente  humanos. Sua estatura é gigantesca, sua forma é grotesca, seus cabelos, escuros e encaracolados, sua pele e olhos, amarelados. Elizabeth Lavenza, a prima adotiva de Victor, é uma jovem cujos maneiras são delicadas e angelicais. Sua expressão é doce, e é muito querida por todos que a conhecem. Além disso, ela apresenta uma boa educação, dada pela família Frankenstein. Henry Clerval, melhor amigo de Victor, é um jovem muito alegre, que tem vivacidade e pensamentos positivos. Ele vê a beleza nas paisagens da natureza e nos animais, e tem interesses diferentes do que Victor: sua vocação é mais humana, menos científica. Ele é muito fiel e atencioso com as pessoas que preza.
  As secundárias são Robert Walton, Henry Clerval, Alphonse Frankenstein, Justine Moritz, Sr. Waldman, e Sr. Krempe. Há ainda algumas personagens que fazem parte da trama mas aparecem raras vezes ou só durante um capítulo, ou ainda são somente citadas. Elas são: Margaret, Caroline, Beaufort, William, Ernest, Agatha, Felix, DeLacey, Safie, sr.Kirwin e Daniel Nugent. Quanto ao protagonista e ao antagonista da história, não acho que haja bem definido. Em minha opinião tanto Victor quanto o monstro atuam em ambos os papéis, e isso é claramente perceptível durante a leitura das narrações de cada um dos dois.

 3.7.Espaço: Os principais locais em que se passa a história são: São Petersburgo, por onde Walton passa em suas viagens,
Nápoles, cidade natal de Victor, Lucerna, cidade em que Caroline conhece Alphonse, Genebra, cidade de sua família, Milão, local onde Caroline adota Elizabeth, Alemanha e França, por onde seus pais viajaram, e mais tarde, onde Victor iria estudar ( em Ingolstadt, na Alemanha), e por onde passaria em suas viagens de ida e volta à universidade e onde teria seu primeiro encontro com o monstro depois de sua criação (Paris e Chamonix, respectivamente). Além disso, Victor também passa por Londres com seu amigo Henry, e enquanto este segue sozinho para a Escócia Frankenstein segue para Okney Islands para realizar a sua segunda criação.

                                 

 3.8.Ambiente: Todos os países em que se passa a história são de primeiro mundo, e a maioria delas é apresentada em seus lados urbano e não urbano. Na parte urbana estão as capitais nacionais, que na época possuía movimentadas e grandes ruas comerciais, por onde passavam carroças e carruagens puxadas a bois e cavalos, estas últimas transportando as pessoas mais abastadas. Já na parte não urbana, que serve de cenário para as viagens e passeios, e contém lindas belezas naturais dos mais variados gêneros.

 3.9.Tempo: Percebi três espaços de tempo que estão presentes na história e se sobrepõe. Eles são:
 Þ    O tempo da correspondência de Walton, que é algo entre dois e três meses de cartas;
 Þ    O tempo de vida de Victor Frankenstein, que é algo como cinquenta anos, desde seu nascimento até o dia de sua morte;
 Þ    O tempo da narração de Victor, quando conta sua biografia para Robert Walton, que durou por volta de três dias.

3.10.Época: A época que serve de cenário para a trama de Frankenstein é a Era vitoriana. Na verdade, a história se passa um pouco antes do início desta era, mas foi como uma introdução a este período e pode ser comparada a ele. O fato de muitos dos escritores a que se faz referência no livro terem feito sucesso durante esta mesma era é uma das relações da obra com a época em que se passou. Outra situação que podemos comparar é a que foi descrita no seguinte parágrafo:
  O nome do ancião era DeLacey. Descendia de uma boa família da França, onde vivera muitos anos na abastança, respeitado pelos superiores e benquisto pelos pares. Seu filho fora educado para servir à pátria, e Aghata tivera a mesma condição social de damas da mais alta distinção. Alguns meses antes de minha chegada, viviam numa grande e luxuosa cidade chamada Paris, rodeados de amigos e gozando dos prazeres que a virtude, o refinamento do intelecto ou o gosto, acompanhados por uma razoável fortuna, podiam proporcionar(cap 14, pg 119).
 Uma situação como esta, era muito comum nesta época antiga. Além disso, o fato que seguiu a este, que foi o exilamento da família e seu empobrecimento, era muito mais comum na época do que é hoje em dia. Estas situações não são específicas da Era vitoriana, mas estão diretamente ligadas com estes tempos antigos.

 3.11.Narrador:O narrador é sempre personagem, ou seja, a história é sempre narrada na primeira pessoa. Há partes do livro em que essa pessoa é Robert Walton, nas cartas, outras Victor Frankenstein, e outras em que é a criatura. Aqui vão trechos do livro narrados por cada uma das personagens citadas acima, respectivamente:
 Þ    “Como o tempo passa devagar por aqui, cercado que estou pelo gelo e pela neve! Mesmo assim, dei um segundo passo na dire ção da minha excursão. Aluguei um navio e estou ocupado recrutando os meus marinheiros; aqueles que já contratei parecem ser pessoas em que posso confiar e certamente são homens de intrépida coragem”(carta 2, pag 22).
Þ    “Quando completei 17 anos, meus pais resolveram que eu deveria estudar na Universidade de Ingolstadt. Até então, havia frequentado as escolas de Genebra, mas meu pai julgou necessário, para completar a minha educação, que eu conhecesse outros costumes além dos do país natal”(cap 3, pg 44).
 Þ    “É com grande dificuldade que me lembro da época original de  meu ser; todos os acontecimentos daquela época me parecem confusos e indistintos. Uma estranha multiplicidade tomava conta de mim, eu via, sentia, ouvia e cheirava ao mesmo tempo(...)”(Cap 11, pag 101).

3.12.Linguagem: A linguagem com que o texto é narrada é culta, e mesmo nos diálogos isso pode ser percebido: todos falam de forma extremamente formal. Talvez esta característica também esteja um pouco relacionada com a época em que a narrativa foi criada e que se passa, pois naquele período a linguagem formal e a linguagem coloquial não eram tão dissociadas como são nos dias de hoje.

 3.13.Estrutura Textual: Na obra estão presentes estes principais tipos de estrutura: narração, descrição, diálogo e dissertação. Logo abaixo estão alguns dos trechos que os representam mais claramente, na mesma ordem em que foram citados:
 Þ    “(...)Descendia de uma boa família na França, onde vivera muitos anos na Abastança, respeitado pelos superiores e benquisto pelos pares. Seu filho fora educado para servir à pátria, e Aghata tivera a mesma condição social de damas da mais alta distinção”(criatura narrando a história da família da cabana: cap 14, pg 119).
 Þ    “(...)essa criança era mirrada e muito loura. Seu cabelo era do mais brilhante e vivo ouro e, apesar da pobreza das roupas, parecia portar uma coroa de distinção sobre a cabeça. As sobrancelhas era claras e amplas, os olhos, azuis sem nuvens, e os lábios e a forma do rosto, tão expressivos de sensibilidade e de doçura que ninguém podia vê-la sem  a considerar de uma espécie diferente, um enviado pelo céu que trazia um selo celestial em todas as feições”(Victor descrevendo sua prima adotiva Elizabeth, sua primeira impressão dela: cap 1, pg 36).
 Þ    “-Vim procurar um fugitivo.
-E o homem que você perseguia viajava da mesma maneira?
-Sim.
          -Então, acho que o vimos, pois, um dia antes, de resgatarmos você, observamos alguns cães que puxavam pelo trenó com um homem”(Diálogo entre Robert Walton e Victor Frankenstein, logo que se conheceram: carta 4, pag 28).
Þ    “Estava agora prestes a formar outro ser cujas disposições igualmente ignorava; ela podia tornar-se dez mil vezes mais maligna do que seu companheiro e pura e simplesmente divertir-se com assassinatos e desgraças”(Reflexões de Victor à respeito da criação da esposa do monstro: cap 20, pg 160).

Há quem diga que Frankenstein fora mal escrito, Mary Wollystonecarft, tinha somente 19 anos quando concluiu a obra. Stephen King, um dos maiores escritores de ficção horro/terror da atualidade ao prefaciar o Livro, Frankenstein, Drácula e o Médico e o Monstro, ressalta que a obra de Shelley é ingênuo e apresenta diversos sofismas crédulos de uma jovem, com frequentes digressões sobre Grandes Ideias Filosóficas e qualificou a história de Mary como um bate-papo informal digna de um dormitório escolar do que uma história de terror gótico. Mas, simultaneamente, King resalta que " Frankenstein é uma mística de moralidade sobre o homem que ousa transgredir os limites do conhecimento".......escritores, como entendê-los?

                                                            By Stela Bagwell

Fontes: Santuário, Universo dos Livros