Filmes de 2015

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

OS MELHORES FILMES DE 2015

   

Sem dúvida 2015 foi um ano de grandes estreias. Produções épicas, Remakes famosos, cenas de tirar o fôlego e finais emocionantes sensibilizaram até os mais estoicos dos expectadores. 2016 foi um ano de Glória para o cinema. Os Filmes de 2016 vieram para marcar mais um ano histórico do cinema, principalmente para quem cresceu lendo os quadrinhos nos anos 90, bem como, as histórias em  quadrinhos da Marvel e DC.Este também foi o ano em que grandes blockbusters conseguiram unir sucesso de bilheteria a elogios da crítica (foi assim com “Mad Max: Estrada da Fúria”, “Jurassic World”, “Velozes e Furiosos 7”, “Missão: Impossível – Nação Secreta” e “Star Wars: O Despertar da Força”), e a diversidade foi a palavra de ordem.Os animais compareceram e  povoaram o cinema infantil em 2016, mas nenhum ano foi tão marcado pelo tema quanto este, onde pelo menos dez títulos foram protagonizados por animais ou ambientados em mundos selvagens.Claro que todo bom cinéfilo tem a sua própria lista de favoritos, porém, creio que muitos dos melhores títulos de 2016 são comuns á, praticamente, todas as listas. Abaixo segue a minha:

                                     1- OS VINGADORES - A ERA DE ULTRON -                                                      NOTA: 10

  

Vingadores: Era de Ultron é tão bom e eletrizante, é tanta ação e tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que tudo parece artificial. A impressão é que estamos diante de um videogame e não de um filme. Tem muita ação, mas tudo parece falso. Felizmente, isso acaba ainda nos primeiros instantes, quando os personagens diminuem o ritmo e tudo pode ser acompanhado mais tranquilamente.
Diretamente ligado aos acontecimentos em Os Vingadores - The Avengers e Capitão América 2 - O Soldado Invernal, e sem ignorar o que ocorre em Agents of S.H.I.E.L.D., Agent Carter e até mesmo Guardiões da Galáxia, Vingadores 2 coloca o grupo frente a frente com uma grande ameaça. Sistema de inteligência artificial criado por Tony Stark para proteger o planeta, Ultron vê a salvação da Terra diretamente ligada a destruição dos Vingadores. A partir daí, Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro terão que deixar suas diferenças de lado para mais uma vez salvar o dia.
Com 2h22 de duração, o filme conseguiu distribuir bem o tempo, oferecendo grandes cenas para todos os heróis, incluindo os estreantes Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen). É realmente impressionante que o filme tenha conseguido lidar com tantos personagens, contando ainda com nomes que até então estavam restritos aos universos solos dos heróis, como o Máquina de Combate (Don Cheadle), o Falcão (Anthony Mackie), e Heimdall (Idris Elba).
Algumas coisas continuaram iguais... Robert Downey Jr. é o alívio cômico, Mark Ruffalo investe num Banner angustiado com o potencial destrutivo de seu lado verde e por aí vai. A principal novidade é o maior espaço dado ao personagem do Gavião, interpretado com muito esforço por Jeremy Renner. Scarlett Johansson também ganha mais tempo em cena, talvez num indicativo de que o tão falado filme-solo da Viúva Negra pode enfim sair. Chris Hemsworth cumpre bem o papel do Thor e ainda protagoniza alguns momentos de humor excelentes.
O elenco conta ainda com nomes como Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Andy Serkis, Hayley Atwell e Stellan Skarsgård. Mas o grande destaque da equipe é James Spader. O veterano ator, que hoje em dia faz sucesso com a série The Blacklist, arrasa ao emprestar sua voz para o vilão Ultron, que é permanentemente ameaçador, muito por causa da voz. O detalhe mais interessante com relação ao vilão é que ele é aterrorizante, mas também demonstra um grande senso de humor, criando um paralelo muito interessante com Tony Stark.
A introdução do Mercúrio e da Feiticeira Escarlate é muito bem feita, embora seja curioso vê-los não sendo chamados de mutantes por questões legais, uma vez que os direitos dos X-Men pertencem à FOX. Problemas jurídicos à parte, os dois personagens ficaram bem legais e complexos.
Joss Whedon tem todos os méritos e é um dos principais responsáveis por todo este mágico universo de super-heróis que vemos em cena. O diretor, no entanto, não trabalha bem o 3D, que parece mais uma opção comercial (ingressos mais caros!) do que de linguagem. Não há uma cena em que a profundidade funcione de forma além da básica na produção.
Vingadores: Era de se sai bem ao oferecer ao espectador uma importante discussão sobre inteligência artificial, algo muito debatido nos dias de hoje, com nomes como Stephen Hawking e Bill Gates se revelando contrários a busca por uma AI.
Com algumas cenas de ação que deixariam Michael Bay orgulhoso (o que não é muito bom), o filme parece não perceber que os momentos mais empolgantes são aqueles em que temos um respiro. Os fãs têm tudo para se deliciar com a obra, que conta com uma bela trilha sonora composta por Danny Elfman, que em nada lembra os temas sombrios compostos para Tim Burton.

                                2 - VELOZES E FURIOSOS 7 - NOTA: 10


Após os acontecimentos em Londres, Dom (Vin Diesel), Brian (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez) e o resto da equipe tiveram a chance de voltar para os Estados Unidos e recomeçarem suas vidas. Mas a tranquilidade do grupo é destruída quando Deckard Shaw (Jason Statham), um assassino profissional, quer vingança pela morte de seu irmão. Agora, a equipe tem que se reunir para impedir este novo vilão. Mas dessa vez, não é só sobre ser veloz. A luta é pela sobrevivência.
Velozes & Furiosos sempre foi uma franquia que abraçou o absurdo. Ao longo dos anos, as cenas de ação foram ficando cada vez mais exageradas, assim como as falas de Vin Diesel sobre o real significado da família. Diante da necessidade/responsabilidade de se prestar uma homenagem, também  se esperou que exagerassem no peso dramático. E foi justamente isso que aconteceu. Velozes & Furiosos 7 não economiza em homenagens ao ator Paul Walker, que faleceu em novembro de 2013, sem completar as filmagens da produção.
De certa forma, Velozes 7 se tornou um filme-tributo, contou com dedicatórias nos créditos, cenas dos filmes anteriores e momentos clássicos de despedida.  Acredita-se que qualquer fã da série tenha se emocionado no trecho final da produção. Caiu um pouco no melodrama, mas quem se importa neh.
Neste sentido, quem foi em busca de muita ação se deliciou com brigas incríveis (Jason Statham x Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez x Ronda Rousey, Paul Walker x Tony Jaa...) e com um número infinito de sequências absurdas. Por sinal, o tema do filme poderia muito bem ser "carros voadores". São várias as sequências de veículos voando, sendo a mais absurda a passada em Abu Dhabi, já amplamente divulgada nos trailers. A escolha pela capital dos Emirados Árabes Unidos é curiosa, mas também simbólica, uma vez que Velozes e Furiosos está cada vez mais perto de Missão Impossível.
O filme, sem dúvidas, agradou  aos fãs por investir, como o anterior, na construção de uma cronologia mais precisa entre os capítulos da franquia. Aqui, a trama começa um pouco antes do final de Velozes & Furiosos 6, entra no meio da trama de Velozes & Furiosos - Desafio em Tóquio e depois segue em frente.
Dirigido por James Wan, há quem diga que o filme é tão absurdo que é quase uma paródia, porém, para quem gosta de cenas sem sentido  se divertiu bastante. Os fãs da franquia também  gostaram de ver, ainda que brevemente, o universo das corridas de rua, mesmo que esteve mais presente nos primeiros filmes.
Mesmo sofrendo com alguns problemas no roteiro, em especial no que diz respeito às lições de moral de Vin Diesel e as frases de efeito do vilão vivido por Statham, compenou por estar carregado de muita ação insana. Quem quis ver perseguições e explosões não  se decepcionou.
O elenco está em boa sintonia, embora ninguém ligue muito para a jornada de redescoberta da personagem de Michelle Rodriguez. Jordana Brewster é deixada praticamente de lado, enquanto que Tyrese Gibson e Ludacris surgem como alívio cômico. Dentre as novidades, Nathalie Emmanuel não compromete e Kurt Russell oferece uma performance bem cool como o agente especial Sr. Ninguém.
Ao final, é difícil não ter ficado tocado com as homenagens à Walker. Por mais piegas que seja o texto, com direito a frases do tipo "ele vai estar sempre comigo" ou "será para sempre meu irmão", é realmente emocionante ver uma equipe ter que dizer adeus a um de seus integrantes. Por sinal, é possível identificar alguns jogos de câmera que escondem o rosto do ator em alguns momentos, pela substituição de Walker, mas nunca  claro a utilização de outro ator ou de efeitos visuais.

                          3 -  MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA -                                                            NOTA: 1O

  

Após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max (Tom Hardy) se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentanto fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.
A história por trás de Mad Max: Estrada da Fúria é curiosa. Após o sucesso da trilogia original nos anos 80, por muito tempo se falou em uma continuação. Projetos e mais projetos foram pensados, mas tudo ficava no papel. Em 2003, parecia que finalmente as coisas caminhariam. George Miller e Mel Gibson estava prontos para um Mad Max 4, mas a dificuldade em se filmar na Austrália acabou adiando a produção e o ator resolveu pular fora. Quase uma década depois, foram iniciadas as filmagens, mas agora com Tom Hardy e Charlize Theron à frente do elenco. Restava a dúvida: valia a pena fazer um Mad Max sem Mel Gibson? Tudo apontava para um grande NÃO, mas...
Mad Max: Estrada da Fúria - não só fizeram justiça aos originais como criaram o melhor filme da franquia. Isso mesmo, não há discussão. É claro que o primeiro Mad Max é icônico e foi muito importante na época, que Mad Max 2 - A Caçada Continua foi fundamental no desenvolvimento de uma visão pós-apocalíptica, mas nenhum dos dois (do três nem se fala) alcança o nível de qualidade visto em Estrada da Fúria.
Após ser capturado por uma comunidade, Max (Hardy) é usado como banco de sangue para soldados feridos. O líder local, Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), usa o fato de ser o detentor de uma grande reserva de água para explorar toda sua população. Além de capturar pessoas para "doarem" sangue, ele tem doadoras de leite e até mulheres que existem para carregarem seus filhos. Quando uma de suas pessoas de confiança foge da comunidade, Joe vai atrás dela com todo seu exército. Por acaso, Max se vê em meio a essa disputa.
Theron interpreta Furiosa, que é a mulher que foge de Joe. Mas ela está longe de ser a mocinha indefesa, como o próprio nome já diz. Trata-se de uma personagem complexa e forte, que se sai bem no meio de toda a ação. Não há nada de sexo frágil. Ela é tão importante em cena quanto Max, o que já faz do filme algo especial. O elenco conta ainda com nomes como Zoë Kravitz, Rosie Huntington-Whiteley e Nicholas Hoult. Após se destacar em X-Men: Primeira Classe e Meu Namorado é um Zumbi, Hoult tem mais uma grande atuação. Seu personagem é elétrico, bem desenvolvido e cheio de reviravoltas, além de visualmente fascinante.
Em Mad Max: Estrada da Fúria, é  importante destacar que não foi  apenas uma questão de ter muita ação. Ao contrário do que vemos em Os Vingadores: Era de Ultron, a ação aqui é muito realista. Miller evitou ao máximo a utilização de efeitos especiais, o que resultou em sequências incríveis e brutais. Não passa a impressão de que estamos diante de um game.
Com direito apenas a uma breve apresentação no início, o filme contou com praticamente duas horas de ação ininterrupta. Foi tecnicamente uma grande e insana perseguição de carros, com pouco espaço para descanso e para nenhum espaço para crianças (que são as piores coisas de Mad Max 2 e Mad Max Além da Cúpula do Trovão). Sem medo de soar repetitivo, foi insano. Por sinal, insana também é a forma como a quantidade de ação caiu como uma luva no roteiro. O espectador não teve muito tempo para respirar, ele queseram mais e mais, como os habitantes do universo em cena pedem por água.
Também merece destaque a trilha sonora de Tom Holkenborg, mais conhecido como Junkie XL. O DJ holandês criou uma trilha original e impactante. Do ponto de vista musical, deve-se elogiar a opção de Miller de criar uma espécie de "carro de som", em que vemos uma guitarra e tambores em cena. É meio brega, mas condizente com o universo Mad Max. Bizarro, mas cool.

                            4-  CADA UM NA SUA CASA - NOTA: 8

                                              

O planeta Terra foi invadido por seres extra-terrestres, os Boov, que estão em busca de um novo planeta para chamar de lar. Eles convivem com os humanos pacificamente, que não sabem de sua existência. Entretanto, um dia a jovem adolescente Tip (Rihanna) encontra o alien Oh (Jim Parsons), que foi banido pelos Boov devido às várias trapalhadas causadas por ele. Os dois logo embarcam em uma aventura onde aprendem bastante sobre as relações intergalácticas.
A animação Cada Um na Sua Casa chegou aos cinemas com o objetivo de explorar mais uma vez a relação de uma criança com um extraterrestre fofo. Foi assim em Lilo & Stitch e, é claro, no clássico E.T. – O Extraterrestre. Em termos de qualidade, o novo filme esteve mais próximo do primeiro do que do segundo, afinal pode  oferecer  momentos especiais e cenas divertidas.
Em Cada Um na Sua Casa, Os Boovs são criaturas alienígenas bem simpáticas e fofinhas, que estão sempre fugindo dos terríveis Gorgons. Eles decidem que a Terra é o local perfeito para abitarem. Com isso, retiram todos os humanos de suas casas e passam a viver em nossas cidades. Dentre os Boov, Oh é um dos mais amigáveis e atrapalhados. Ele tenta organizar uma festa de boas vindas no novo planeta e acaba mandando convite para toda galáxia, o que gera o medo de que os Gorgons os descubram. Com isso, Oh passa a ser procurado pelos outros Boovs.
Enquanto tenta se esconder, Oh encontra com uma jovem menina e seu gato, que estão a procura da mãe. O trio acaba se unindo numa aventura. A trama do filme é muito simples mas envolve o expectador, principalmente pelo o interesse e pela  relação de amizade que surge entre Oh e a menina, assim como,  no encontro da mãe sumida.
O filme possui protagonistas simpáticos e divertidos. Não só Oh é bem bonitinho, como a garotinha Tip é uma simpatia só. O longa merece destaque pela opção de utilizar uma menina fora dos padrões das animações. Sai a menina loirinha, branquinha e de cabelo liso para uma garotinha negra repleta de personalidade e com os cabelos cacheados.
Jim Parsons, Rihanna e Steve Martin formam o elenco de vozes da produção dirigida por Tim Johnson. Os efeitos visuais são de qualidade e a trilha tem bons momentos, embora exagere no número de canções de Rihanna. Tudo bem que quiseram aproveitar a presença da cantora no projeto, mas cinco canções de uma mesma artista na trilha soa exagero, este foi o único ponto negativo que encontrei.

                                         5 - DIVERTIDAMENTE - NOTA: 9

  

Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle - e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.
A Pixar conseguiu, mais uma vez. Ao longo dos anos,  fazer fama graças à capacidade de criar universos bastante criativos a partir de situações inusitadas. Assim foi com Toy Story (o mundo dos brinquedos), Procurando Nemo (a vida no aquário), Monstros S.A. (Boo como ameaça aos monstros) e outros tantos. Após um período de vacas magras, o estúdio retorna à sua melhor forma em Divertida Mente. Nenhum outro filme exibido no Festival de Cannes foi tão aplaudido após a sessão quanto a animação.
Em Divertida Mente,  que mais impressiona  é o brilhantismo do roteiro, escrito por Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley , por um grande motivo: desta vez, os conceitos adotados pelo filme são totalmente abstratos. Afinal de contas, a história gira em torno da mente de uma garota, Riley, tendo como grandes protagonistas as cinco emoções responsáveis por conduzir sua vida: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho. Cada emoção possui cor e temperamentos próprios, claramente infantilizados para facilitar a compreensão do público menor, mas ainda assim de uma profundidade impressionante. Ou seja, além de desenvolver a personalidade de cada uma delas, a Pixar ainda teve que buscar meios para tornar concreto e viável algo que não é palpável, usando para tanto muita criatividade.
 Houve muito de psicologia em Divertida Mente. Vários são os conceitos adaptados nesta grande alegoria emocional, como o porquê de  esquecer fatos antigos de sua vida, o que define sua personalidade, questões do inconsciente, a formação dos sonhos (em uma hilária associação!) e até mesmo depressão. Sim, depressão! Por mais que o mal do século jamais seja citado nominalmente no filme, ele é claramente apresentado e explicado, dentro do contexto. Mais ainda: Divertida Mente evita a vilanização da tristeza e oferece uma mensagem bastante importante sobre como lidar com ela em seu cotidiano, ao invés de afugentá-la a qualquer custo – o que, se for analisar mais à fundo, ainda por cima é uma crítica indireta à indústria de antidepressivos e remédios do tipo, que tentam retrair as emoções para que a vida seja mais “controlável”. Chorar, como o filme tão bem demonstra, às vezes é necessário – e Divertida Mente traz momentos em que realmente te leva às lágrimas.
Por mais que todas as cinco emoções tiveram momentos de brilho, o foco central ficou na dupla Alegria e Tristeza, dubladas com maestria por Amy Poehler e Phyllis Smith, respectivamente. Aparentemente antagônicas, elas precisam se unir quando são acidentalmente expelidas da sala de controle e buscam, a todo custo, retornar ao local. É neste momento que a vida de Riley entra em parafuso, já que as três emoções restantes não conseguem manter a normalidade. Por outro lado, Alegria e Tristeza percorrem toda a estrutura do cérebro humano, revelando analogias impressionantes com a vida real. Divertida Mente é repleto de simbolismos muito bem sacados e, por mais que certas situações passem por um claro processo de infantilização, elas são muito menores em relação ao que o filme oferece. Provavelmente, este é um filme que será bem mais apreciado por adultos do que crianças, por mais que os pequenos também tenham condições de se divertir bastante.
Houve também bastante gargalhadas gostosas, não apenas pela piada bem feita mas também pela surpresa que trouxe  a inteligência com a qual foi concebida. Aqui vão alguns destaques: preste atenção nas capas de jornal que a Raiva volta e meia segura, elas sempre têm a ver com o momento de vida de Riley no melhor estilo de ser do personagem; a sequência de abertura, com o nascimento de Riley, não apenas dimensiona toda a estrutura das emoções como, conceitualmente, remete ao início de Up - Altas Aventuras (não por acaso, também dirigido por Pete Docter); repare nos detalhes das ilhas existentes, cada uma delas traz vários símbolos interessantes; se possível, veja em 3D: não propriamente devido ao uso da terceira dimensão, mas por uma brincadeira muito bem inserida relacionada às animações de antigamente; e aproveite as breves esquetes que surgem durante os créditos finais, simplesmente maravilhosas.
Extremamente ousado, Divertida Mente foi um dos filmes que  assisti com gosto. Não apenas pelo entretenimento, mas também pelo tanto que  ofereceu em relação à criatividade, nostalgia, emoções e a própria vida. Um dos melhores filmes já feitos pela Pixar, sem sombra de dúvidas.

                                      6 - MAZE RUNNER: PROVA DE FOGO -                                                             NOTA: 9

                                             

Após escapar do labirinto, Thomas (Dylan O'Brien) e os garotos que o acompanharam em sua fuga da Clareira precisam agora lidar com uma realidade bem diferente: a superfície da Terra foi queimada pelo sol e eles precisam lidar com criaturas disformes chamadas Cranks, que desejam devorá-los vivos.
“O labirinto era apenas o começo”. Dessa vez a campanha de marketing não exagerou: enquanto Maze Runner - Correr ou Morrer trazia um único cenário e um obstáculo preciso (superar o labirinto), agora Thomas, Teresa, Minho e os outros jovens tiveram que combater um número infinito de perigos mortais. Quando escaparam dos cientistas, lutaram para sobreviver à travessia no deserto, quando passaram esta  etapa, lidaram com zumbis, depois com rebeldes, depois uma tempestade de raios que pareceu especificamente destinada a eles. Todas as pessoas, seres e máquinas ao redor queriam matá-los; todo galpão que poderia abrigar o grupo escondia novas armadilhas. O mundo é mesmo cruel.
Maze Runner: Prova de Fogo expandiu consideravelmente  seu universo para  transformar –se em um grande filme de ação, com muitos efeitos especiais combinados às regras de outros gêneros (os filmes de zumbis, os filmes pós-apocalípticos, os filmes catástrofe, as aventuras adolescentes). Esta produção contou com um orçamento maior, e também com ambições mais amplas, visando seduzir o público adulto que compraria ingressos para assistir a Bruce Willis ou Liam Neeson nos cinemas. O resultado é  tecnicamente impressionante, no entanto, o único ponto contra foi que, na vontade de agradar a todo mundo, talvez não tenha se  aprofundado em gênero nenhum.
A grande diferença  do segundo filme foi seu caráter episódico, que aproximou a trama de um videogame sádico. Supondo que o público já conhecesse os personagens, a ação desenvolveu-se sem freios, trazendo cada novo trecho com seu cenário, seus personagens, o seu “vilão” a superar, como nas fases de um jogo. Vencido aquele perigo, os jovens estariam prontos para correr até a cilada seguinte. Talvez tenha faltado um senso de propósito neste road movie frenético: onde os personagens realmente pretendiam ir, se nada ao redor era digno de confiança? Entre os mundos pós-apocalípticos dos livros infanto-juvenis, nenhum foi tão amargo e niilista quanto o de Maze Runner.
Thomas (Dylan O’Brien) continuou liderando o grupo com seu arsenal inesgotável de virtudes:  inteligência, caridade, beleza, amizade, coragem incansável, construiu os melhores planos, correu como ninguém e jamais deixou alguém para trás. Mesmo que a pessoa em questão já tive a morte como certa, Thomas preferiu arriscar a própria vida para acompanhar moribundos. Como sempre tomou as decisões certas, sem hesitações – ao contrário de Katniss ou Tris – o herói tornou-se pouco interessante, um tanto superficial. Felizmente, O’Brien é um ator com recursos, e trouxe algumas hesitações ao bastião da moral e dos bons costumes.
Os outros atores jovens foram igualmente talentosos. Um dos acertos da franquia foi apostar em nomes pouco conhecidos, mas com grande potencial, como Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, além da excelente Rosa Salazar e do ambíguo Jacob Lofland. Enfrentando um grupo de vilões extremamente caricatos (Aidan Gillen e Patricia Clarkson, destilando fel em cada olhar), os coadjuvantes adolescentes ganharam espaço para apresentar fragilidade e demonstrar a força dramática necessária à trama.

De resto, Maze Runner  também manteve alguns clichês presentes nas produções do gênero, incluindo Jogos Vorazes e Divergente, onde as pessoas bondosas são ligadas à natureza e ao coletivo, enquanto  vilões são figuras altamente tecnológicas, urbanas e vestidas como grandes empresários. As minorias sociais e étnicas continuaram tendo papéis acessórios: negros, indianos, asiáticos e crianças possuíram menor importância na narrativa e viveram menos, enquanto os protagonistas belos, brancos e atléticos funcionaram como modelos morais e físicos do herói .
Enfim,  a produção felizmente apontou para caminhos mais sombrios, com menções a sexo, drogas, lutas sangrentas e decisões moralmente questionáveis. O público-alvo continuou sendo o adolescente, mas foi louvável a capacidade do diretor Wes Ball em sugerir ideias adultas dentro da censura PG-13. Os personagens se tornaram  mais complexos se deixaram fluir suas pulsões adolescentes no grande cenário extremista de guerra.
Além disso, o anúncio do terceiro filme como uma “história de vingança” parece promissor. Se os roteiristas conseguirem criar uma história coesa e reduzirem o maniqueísmo, o terceiro Maze Runner pode de fato representar o ápice desta história. Afinal, a franquia discute temas importantíssimos, como a troca da liberdade pela segurança, o limite da intervenção da ciência na natureza e o papel do Estado único em relação à vontade dos indivíduos. Só falta encontrar espaço para desenvolver todas essas ideias em meio a tanta correria

                                                    7 - A COLINA ESCARLATE - NOTA: 10

                                 

Quando seu coração é roubado por um estranho sedutor, uma jovem mulher é levada para uma casa no topo de uma colina de barro vermelho sangue: um lugar repleto de segredos que irão assombrá-la para sempre. Entre o desejo e a escuridão, o mistério e a loucura, está a verdade por trás da Colina Escarlate. Inicialmente, a trama é bem simples, basicamente uma história de casa mal assombrada, onde a jovem escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska), apaixonada pelo misterioso Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), muda-se depois de casada. Uma gélida mansão sombria, rodeada por um entranho barro cor de sangue. Lá mora também a irmã de Thomas, Lucille Sharpe (Jessica Chastain), uma mulher de personalidade fria que parece se encaixar no local onde vive. A partir daí, Edith é atormentada por assombrações, vai fisicamente definhando e aos poucos descobrindo os segredos tenebrosos por trás do lugar. Porém o grande foco aqui é abordar até onde o humano pode chegar em nome do amor. O fato desse sentimento nos transformar em monstros.
Crimson Peak, ou A Colina Escarlate, título em português, foi  empreendimento realizado pelo, extraordinário e criativo, diretor, produtor e roteirista, mexicano, Guillermo Del Toro em parceria com o roteirista, Matthew Robbins ( seu colaborador em Mutação). Foi uma produção com pretensões claras, no mínimo, intrigante e espetacular, considerando que a realização deste projeto, foi concretizado, exclusivamente, pela fantástica imaginação do cineasta, que já criou vários monstros e robôs gigantes. Singularmente, o gênero deste longa, englobou, cinco categorias distintas, desenvolvidas com mestria, que, ao longo dos eventos, foram se contrapondo entre si de maneira orquestrada, bem com, referenciou clássicos europeus da nona arte.  Pode-se dizer que tudo em A Colina Escarlate se mostrou bastante convincente, desde a caracterização do espaço, dos personagens, que foram bastante articulados e desenvolvidos, ao desenrolar dos acontecimentos, que, também foram concêntricos e diretos.
Há quem diga que, Wasikowska ( Edith), não esteve em sua melhor atuação, permanecendo, com a velha cara de Alice em busca do coelho apressado e seu inseparável relógio de bolso. Honestamente, este pormenor, rendeu à sua interpretação uma singular pureza que antagonizou com o universo sombrio, assim como, foi contraposto pela bela atuação de Tom Hiddleston ( Thomas), que surpreendeu como aspirante à galã e aristocrata falido, o qual dividiu cenas impactantes com Jessica Chastain (Lady Lucille), sua irmã na história.
Não podemos deixar de dizer que a concretização e o desempenho do figurino foram excelente, tecnicamente, é impossível o público não ter percebido a sutileza com que Del Toro sincronizou, espaço, cores e harmonização, vistos, principalmente, em produções technicolor, de Mario Bava, os detalhes fizeram toda a diferença, assim como a excelente fotografia de, Dan Lausten, e a composição musical do espanhol, Fernando Velásquez, ( Mama, Hércules, O Orfanato), ficou evidente o designer tão cuidadoso quanto o desenvolvido para O Labirinto do Fauno ( 2006), assim como, ficou quase impossível acreditar que este empreendimento de del Toro, custou um terço de seu projeto anterior, Círculo de Fogo ( 2013). A Colina Escarlate pôde ser considerada uma iguaria para os fãs do cineasta, que acabam se empregnando em cada som, borboletas, caveiras e fantasmas que se arrastaram nas sombras, literalmente.
Um fato ficou  evidente em A Colina Escarlate, o mundo precisa de del Toro, precisa de gente como ele, obstinado, visionário e detalhista, que se importa em realizar empreendimentos audaciosos com paciência e dedicação.

                                    8 - O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS -                                                           NOTA: 10

                                               

Amaldiçoado com a imortalidade, o caçador de bruxas Kaulder (Vin Diesel) é obrigado a enfrentar mais uma vez sua maior inimiga e unir forças com a jovem bruxa Chloe (Rose Leslie) para impedir que uma convenção espalhe uma terrível praga pela cidade.
Vin Diesel ficou mundialmente conhecido pelo desempenho em filmes de ação, principalmente pelo trabalho em Triplo X e na franquia Velozes & Furiosos. Ao longo dos anos, chegou a se arriscar em comédias como Operação Babá, mas sempre que possível retornava para a ação. O que era recomendável, afinal o ator já demonstrou ter um potencial físico muito mais relevante que seu talento artístico.
Em O Último Caçador de Bruxas, o ator continuou contando com cenas de ação para mostrar sua força. Há quem diga que a história é frágil, e a performance de Diesel ineficiente o que não é verdade. Ele interpreta um caçador de bruxas que é amaldiçoado a viver eternamente e se une a uma instituição religiosa e passa os séculos lutando para combater o mal.
 Kaulder, investiga o surgimento de uma grande ameaça, contando com a ajuda de um jovem padre (Elijah Wood) e uma bruxa que passa por seu caminho (Rose Leslie). O elenco conta ainda com as presenças de Michael Caine, Ólafur Darri Ólafsson, Joseph Gilgun e Julie Engelbrecht.
Conhecida pelo papel de Ygritte em Game of Thrones, Rose Leslie não chega a comprometer, mas sua personagem é tão superficial e desinteressante , o mesmo pode se dizer de Elijah Wood, que tem uma participação pouco convincente.
Muita gente não gostou do filme, mas posso dizer que foi bastante sugestivo tecnicamente. As cenas no passado foram bem desenvolvidas, com um CGI realista . A fotografia também foi boa, em alguns momentos  a trilha sonora se adaptou  a trama.
The Last Witch Hunter (no original) pode até oferecer uma sucessão de clichês e conceitos pouco criativos, como navegador de sonhos e outros, mas conseguiu ser uma história interessante, pelo menos para mim. Vale ressaltar que funcionou  a brincadeira com elementos da atualidade, como a pessoa que tenta tirar uma selfie em um momento inapropriado ou a referência a um grupo no WhatsApp de bruxas.

                               9 - VICTOR FRANKENSTEIN - NOTA: 9

                                  

 Ao visitar um circo, o cientista Victor Frankenstein (James McAvoy) encontra um jovem corcunda (Daniel Radcliffe) que lá trabalha como palhaço. Após a bela Lorelei (Jessica Brown Findlay) cair do trapézio, o corcunda sem nome consegue salvar sua vida graças aos conhecimentos de anatomia humana que possui. Impressionado com o feito, Victor o resgata do circo e o leva para sua própria casa. Lá lhe dá um nome, Igor, e também uma vida que jamais sonhou, de forma que possa ajudá-lo no grande objetivo de sua vida: criar vida após a morte.
Para que esperou uma adaptação fiel ao clássico livro escrito por Mary Shelley, se deu mal, Victor Frankenstein foi uma livre recriação do universo imaginado pela autora, com direito a muitas intervenções, algumas interessantes, outras bem questionáveis.
A principal delas foi  o posto de protagonista dado ao corcunda Ígor, que sequer existe no livro, algo que chegou até a  ser até curioso, visto que o título do filme supostamente colocou o holofote em seu parceiro de cena. Visto pela primeira vez no clássico Frankenstein, de 1931, o personagem não apenas ganhou importância como uma história própria, consistente com o cenário proposto. Mérito (momentâneo) para o roteirista Max Landis, pela habilidosa introdução do personagem, que passou ainda pela construção da amizade e fascínio existentes entre o corcunda e seu “criador”, Victor Frankenstein. Entre aspas porque, por mais que o filme tenha insistido na transferência do conceito de criador/criatura para Ígor, a relação entre eles é mais fruto das diferenças sociais que possuem. Ainda assim, esta relação ambígua de dívida entre ambos norteia boa parte da história.
Assistindo ao filme, é fácil compreender o porquê de Daniel Radcliffe ter se interessado pelo personagem do corcunda. Buscando papéis bem diferentes desde que deixou a série Harry Potter, o fato de estar mais uma vez em um ambiente sombrio – assim como em A Mulher de Preto e Amaldiçoado e o desafio físico exigido pelo papel em seus primeiros 20 minutos são bastante interessantes.
Tal iniciativa, aliada à ânsia de trazer luz sobre a obsessão vivida pelo personagem-título, fez com que Victor Frankenstein se tornasse uma colcha de subtramas desenvolvidas. Do pífio interesse amoroso à perseguição policial com direito a questionamentos religiosos (!!!), o filme passa ainda por questões de família  e conflitos morais bem controversos. Tudo para que os dois personagens principais tenham sempre suas motivações justificadas, um mal que assola o atual cinema hollywoodiano, onde nenhuma pergunta pode ficar sem resposta – mesmo aquelas que não necessitam de qualquer explicação.
Ainda sobrou espaço para o desenvolvimento de  questões morais e éticas decorrentes da criação de vida artificial, após a morte.
Mesmo com muita gente dizendo que o roteiro foi tão problemático,  Victor Frankenstein ofereceu muitos pontos positivos. O principal deles foi o elenco, especialmente Daniel Radcliffe, pelas já citadas exigências de seu papel. James McAvoy explora o lado obsessivo do personagem-título e, se não brilha, também não compromete - o contrário do policial interpretado por Andrew Scott, irritantemente mal construído e repleto de frases feitas. A ambientação, obviamente soturna e com uma pitada de gore, funciona a contento dentro do universo retratado...uma história bastante reflexiva por sinal.

                         10 - JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA, O FINAL -                                               NOTA: 10

  

Ainda se recuperando do choque de ver Peeta (Josh Hutcherson) contra si, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é enviada ao Distrito 2 pela presidente Coin (Julianne Moore). Lá ela ajuda a convencer os moradores locais a se rebelarem contra a Capital. Com todos os distritos unidos, tem início o ataque decisivo contra o presidente Snow (Donald Sutherland). Só que Katniss tem seus próprios planos para o combate e, para levá-los adiante, precisa da ajuda de Gale (Liam Hemsworth), Finnick (Sam Claflin), Cressida (Natalie Dormer), Pollux (Elder Henson) e do próprio Peeta, enviado para compôr sua equipe.
O clássico O Leopardo, de Luchino Visconti, traz uma célebre frase que diz muito sobre disputa de poder: “às vezes é preciso mudar para continuar como está”. Reflexo da manipulação do grupo mais influente da sociedade, que modifica as peças do tabuleiro de forma que o povo tenha a sensação de que algo mudou quando, na verdade, tudo permanece o mesmo. Jogos Vorazes: A Esperança - O Final lidou muito com esta sensação, graças às analogias existentes entre o modus operandi dos presidentes Snow e Coin. É este cenário político o maior atrativo do desfecho da saga escrita por Suzanne Collins, por mais que o filme em vários momentos não o tenha aproveitado tão bem assim.
Dando prosseguimento aos eventos da Parte 1, este novo Jogos Vorazes começou exatamente após o impactante desfecho do filme anterior: Katniss ferida, com hematomas no pescoço e dificuldade em falar. O choque pelo súbito ataque de Peeta foi um elemento importante neste novo filme, pela obrigação de conviver lado a lado com o suposto inimigo – algo que o roteiro de Peter Craig e Danny Strong abordou com uma certa habilidade, mesclando o risco iminente com sentimentos prévios. Entretanto, a relevância maior do que aconteceu com o jovem padeiro tem a ver não propriamente com seu relacionamento com a heroína da série, mas com as inevitáveis consequências de uma guerra. Foi esta, no fim das contas, a grande abordagem deste capítulo final.
Em meio a tantos eventos derradeiros, com direito a batalhas e mortes significativas, chamou  atenção a ausência de emoção ao longo de quase todo o filme. Os personagens, Katniss principalmente, aparentaram estar entorpecidos pelo choque da guerra, precisando sempre seguir em frente sem olhar (ou sentir) por quem ficou no meio do caminho. Se por um lado isto até favoreceu algumas cenas de ação, por evitar o tom sentimental, por outro amenizou muito os elos emocionais construídos ao longo de toda a franquia. Apenas bem no final é que houve a inevitável explosão de dor, contida até não ser mais possível suportá-la.
Por mais que fosse compreensível, tal proposta narrativa acabou agindo contra a própria série no sentido de minimizar vários fatos marcantes deste último filme, especialmente para quem leu os livros. Além disto, o maniqueísmo explícito adotado pelo diretor Francis Lawrence direcionou o espectador em uma trilha bastante óbvia e sem qualquer sutileza, onde vários eventos sforam facilmente antecipados. Tal didatismo foi outro ponto negativo, também por deixar em segundo plano o interessante âmbito político envolvendo o universo de Katniss. Mesmo quando ele ganha espaço, na reta final do filme, sua condução foi tão manipulada que a execução deixa muito a dever em relação aos conceitos levantados, sobre os limites na busca pelo poder e a guerra da propaganda – algo que Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 abordou com muito mais propriedade.

Existem sim, alguns problemas sérios em Jogos Vorazes: A Esperança – O Final. Um deles é a personagem de Jena Malone, completamente desnecessária na história – Jeffrey Wright também não diz a que veio, mas seu personagem serviu mais para compôr o contexto, sem qualquer destaque individual. A insistência no triângulo amoroso formado por Katniss-Peeta-Gale também rendeu cenas bobas diante da importância do cenário envolvido, por mais que a (breve) sequência do beijo  possa ter empolgado alguns fãs. Houve ainda saltos bruscos no tempo, vários “facilitadores de roteiro” e o mau aproveitamento de Gwendoline Christie, a Brienne de Game of Thrones, que surgiu em apenas uma cena. Mas nada superou o péssimo epílogo, com ares de Crepúsculo, que destou bastante do tom sóbrio do filme como um todo, até mesmo na fotografia.
Por tudo o que apresentou nos episódios anteriores e pelo que prometia nesta conclusão, Jogos Vorazes: A Esperança – O Final deixou uma sensação de decepção, mas quem se importa, as sequências foram bastante empolgantes e  a da batalha contra os bestantes, foi surpreendente, onde Francis Lawrence  relembrou os tempos de Constantine, pela tensão envolvida -, e o elenco como um todo cumpra seu papel de forma razoável, o didatismo e o maniqueísmo excessivos não prejudicaram a história, mas, retiraram dele boa parte dos possíveis momentos de tensão e emoção. Trata-se de um filme interessante pelo pano de fundo político que abordou e também por sido a última chance de conferir o grande Philip Seymour Hoffman nas telas de cinema. Apesar de não ter tido grande destaque neste último episódio, devido ao seu falecimento durante as filmagens, seu Plutarch Heavensbee foi um dos personagens mais interessantes da série Jogos Vorazes pelo modo como se movimentou no âmbito político, seja lá quem estivesse no poder. Um breve retrato de como foi a tal sociedade dominante citada por Visconti em O Leopardo, tão comum na vida real.



                               11 - NO CORAÇÃO DO MAR - NOTA: 10

                                              No Coração do Mar

Desde que conquistou o Oscar de Melhor Diretor por Uma Mente Brilhante, em 2002, Ron Howard vem apresentando uma trajetória bem inconstante. Fez os ótimos Frost/Nixon e Rush - No Limite da Emoção, mas também decepcionou com A Luta Pela Esperança, O Código Da Vinci, Anjos e Demônios e O Dilema. Em No Coração do Mar, retoma a parceria com Chris Hemsworth para contar a história por trás do clássico da literatura Moby Dick, de Herman Melville. O filme está longe de ser uma obra ruim, mesmo não passando nem perto da ousadia e da qualidade do trabalho anterior, justamente Rush.
No Coração do Mar, Herman Melville (Ben Whishaw) está à procura de uma história para seu próximo livro. Ele conhece a lenda sobre o naufrágio do navio baleeiro Essex, mas quer saber a verdadeira história por traz do acidente. Para isso, entra em contato com um traumatizado sobrevivente (Brendan Gleeson).
A partir daí, voltamos no tempo para saber o que realmente aconteceu, com o capitão George Pollard (Benjamin Walker), o primeiro oficial Owen Chase (Chris Hemsworth) e toda tripulação partindo em uma viagem com o objetivo de coletar 2 mil barris de óleo de baleia. Eles navegam até a costa da América do Sul, quando finalmente encontram um número significativo de baleiras. O problema é que uma delas é gigantesca e não deixa de lutar por sua sobrevivência.
É a clássica história do homem contra a natureza. Nos dias de hoje, de muita preocupação ambiental, a trama soa estranha, mas a abordagem dos roteiristas é honesta. Era algo normal na época, mas não deixava de ser brutal. Uma das mais belas cenas da produção, foi quando os personagens de Hemsworth e Tom Holland contemplam abalados e ensanguentados a morte de um animal.
O elenco trouxe ainda as boas presenças de Cillian Murphy, Frank Dillane, Michelle Fairley e Charlotte Riley, mas os destaques são mesmo Hemsworth e Holland, curiosamente dois atores que interpretam heróis da Marvel (Thor e Homem-Aranha).
O direção de Howard é boa, trata-se de um filme correto. Parceiro de longa data de Lars von Trier, o diretor de fotografia Anthony Dod Mantle realizou um trabalho competente. O filme contou com belos cenários e com bons efeitos visuais, embora a baleia principal fosse mais interessante quando ocultada. Como em Tubarão, a tensão esteve mais na ameaça do que no ataque, o que não tirou a catarse das cenas.

                                   12 - STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA -                                                        NOTA: 10

                                            

Décadas após a queda de Darth Vader e do Império, surge uma nova ameaça: a Primeira Ordem, uma organização sombria que busca minar o poder da República e que tem Kylo Ren (Adam Driver), o General Hux (Domhnall Gleeson) e o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) como principais expoentes. Eles conseguem capturar Poe Dameron (Oscar Isaac), um dos principais pilotos da Resistência, que antes de ser preso envia através do pequeno robô BB-8 o mapa de onde vive o mitológico Luke Skywalker (Mark Hamill). Ao fugir pelo deserto, BB-8 encontra a jovem Rey (Daisy Ridley), que vive sozinha catando destroços de naves antigas. Paralelamente, Poe recebe a ajuda de Finn (John Boyega), um stormtrooper que decide abandonar o posto repentinamente. Juntos, eles escapam do domínio da Primeira Ordem.
A figura paterna sempre foi um elemento importante em Guerra nas Estrelas. Foi assim no primeiro filme foi assim neste novo. De certa forma, George Lucas foi o pai não só de Star Wars, mas também de todo um universo geek que nasceu após este. Apesar de Jar Jar Binks, Greedo atirando primeiro, midclorians e tudo mais, Lucas terá sempre o carinho dos fãs e dos apaixonados pelo cinema fantástico.
Mas agora é hora de falar do novo pai, o adotivo: J.J. Abrams. Não bastasse ter feito Alias e Lost, não bastasse ter feito um belo filme que celebrava o cinema infantil dos anos 80 (Super 8), não bastasse salvar as franquias Missão Impossível e Star Trek, agora Abrams assume a responsabilidade de dirigir Star Wars - O Despertar da Força e devolver à franquia todo o clima da trilogia original, lançada entre 1977 e 1983. Ou seja, há mais de 30 anos.
E o melhor é concluir que ele conseguiu. Assim como fez com Star Trek, Abrams conseguiu criar um novo episódio que fizesse justiça ao original, mas que também oferecesse algo novo. É claro que o fã da franquia já ficaria satisfeito só de rever caras conhecidas, como Han Solo, Leia, Chewie e muitos outros, mas vai ficar muito mais feliz ao receber novos personagens para se apaixonar.
A trama inicia muito anos após o visto em O Retorno de Jedi. A queda de Darth Vader e do Império levou ao surgimento de uma nova força sombria, a Primeira Ordem. Eles procuram por Luke Skywalker, poderoso Jedi que está recluso há anos. Ao mesmo tempo, a Ordem tem seu domínio ameaçado pela Resistência, liderada por Leia, que também procura pelo irmão.
Neste sentido, foi importante valorizar os produtores por terem guardado algumas surpresas (e que surpresas!) para o longa, não revelando tudo nos trailers, teasers, clipes e tudo mais. Talvez tenha sido vídeos em excesso, é verdade, mas ao menos muita coisa ficou para o filme.
Foi difícil não se emocionar ao ver Harrison Ford e Carrie Fisher como Han e Leia. Vê-lo na Millenium Falcon foi algo realmente especial. A atriz também se mostrou muito confortável como líder da resistência, como foi no primeiro filme, de 1977. Mas mesmo os veteranos contaram com um espaço considerável no coração do público, foi importante também destacar os dois novos protagonistas Daisy Ridley e John Boyega. O material promocional já prometia personagens interessantes, mas foi mais que isso, são personagens que gerações irão amar daqui para a frente, como foi com a Trilogia Original e não foi com a Nova Trilogia.

Ridley foi a heroína do século XXI. Junto com a Furiosa de Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria) chegaram para mostrar de uma vez por todas que mulheres têm sim lugar no cinema de ação. Leia talvez tenha sido uma das primeiras personagens femininas fortes do cinema de ficção e foi  interessante ver Star Wars mais uma vez marcando presença neste sentido. Trata-se de uma heroína natural. Forte, inteligente, ágil e não precisa ser conduzida ou salva por um homem, mostrando isso repetidas vezes em cena.
Já Boyega foi uma espécie de alívio cômico da produção, mas não é um palhaço. Star Wars sempre teve humor e Finn representa bem este elemento, seja por frases engraçadas, seja pelo desespero com que lida com algumas situações.
Do lado da Primeira Ordem, surgiu o temido Kylo Ren (Adam Driver), um vilão complexo e muito bem desenvolvido. Instável, ele deseja seguir os passos de Vader. Por outro lado, a Capitã Phasma (Gwendoline Christie) teve uma participação menos importante e interessante do que prometia.
Oscar Isaac, Lupita Nyong’o e Domhnall Gleeson completaram o novo time. A atriz vencedora do Oscar por 12 Anos de Escravidão esteve em numa personagem totalmente digital, mas demonstrou uma grande expressividade, sem falar no trabalho de voz. Rei dos personagens digitais, Andy Serkis também esteve presente, mas não mostrou muito a que veio num papel que deve ganhar destaque mais para a frente.
 Os fãs ficaram em êxtase ao encontrar naves e robôs conhecidos, como C3PO e R2D2, mas também  se encantaram com o novo BB-8 que é meio que uma mistura de R2D2 com Wall-E em uma versão mais bonita.

O principal mérito de Abrams e da equipe técnica foi criar o visual do filme. Os efeitos especiais estiveram incríveis e são várias as cenas de ação, mas o mais importante foi que os efeitos não são artificiais quanto nos episódios I, II ou III, ou das modificações posteriores na Trilogia Original. O diretor pareceu mais interessado em criar um mundo que fosse plausível, embora repleto de criaturas, naves e tudo mais, a ficar colocando criaturas digitais gigantes por todos os cantos. Desculpa, George!
Abrams  geralmente trabalhou com a mesma equipe, mas  teve a sabedoria de reconhecer que não existe Star Wars sem John Williams. Não só foi incrível ouvir o tema original ou o de Leia e Han, mas os novos temas também se destacaram, principalmente o de Rey, no início do filme.
The Force Awakens (no original) uniram bem os sentimentos de nostalgia e empolgação pelo novo, houve momentos bem delicados e batalhas épicas, além de muitas referências ao primeiro filme (Episódio IV). As citações não estavam apenas nos atores, mas também em sequências parecidas. O final foi muito bom,  deixou o espectador segurando na poltrona e abrindo um grande caminho para o Episódio VIII.
 Se o novo filme teve algum defeito talvez foi o de não se fechar em si próprio. Uma Nova Esperança foi o primeiro roteiro de uma trilogia, que na verdade era o quarto de seis filmes. Ainda assim, o público teve uma  melhor  sensação de conclusão. No mesmo sentido, a obra de Abrams deixou muita coisa para explicar sobre a trama em si, como a origem da Primeira Ordem e o desfecho dos personagens originais. Foi legal criar mistério, mas foi frustrante ficar enrolando o espectador. A solução é esperar até 2017.
O título prometeu o despertar de uma força, mas não foi apenas a Força que o filme desperta. Ele também acordou um sentimento chamado Guerra nas Estrelas que estava apagado há quase 33 anos. Os prelúdios podem ter ajudado a vender mais brinquedo, mas não passaram nem  perto de fazer justiça a toda história pregressa. O Episódio VII não só fez justiça, como ofereceu uma continuidade. E vida longa a Star Wars!

                                               


                                                         By Stela Bagwell

                                                     Fontes: AdoroCinema