Filmes de 2015

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

OS DIVERSOS INTERTEXTOS DE CINQUENTA TONS DE CINZA

   

                                        CINQUENTA TONS DE CINZA


Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja — mas em seus próprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso — os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família —, Grey é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos…
E é como um favor a Kate que Anastasia é apresentada a Christian Grey. Kate, que é jornalista, consegue uma entrevista com o CEO mais famoso do país, bilionário e riquíssimo Christian Grey, mas um dia antes fica doente, e implora a Ana que vá em seu lugar. Sem saber dizer não, Anastasia vai a sede da Grey Enterprise Holdings, e desde o começo se sente deslocada. O lugar é lindo, enorme, decorado quase que completamente de branco e é repleto de empregadas (sim, todas mulheres e todas loiras) extremamente bem arrumadas em terninhos e cabelos louros em um coque. Anastasia, a mocinha literária mais desastrada que existe, com seu jeans velho e um casaco surrado se sente super desconfortável enquanto espera ser chamada para conhecer o dono de tudo aquilo. Ao entrar – triunfalmente, diga-se de passagem – na sala do CEO, Anastasia fica abismada. Christian (também eleito solteiro mais desejável de Seattle) a surpreende quando se mostra muito jovem e perspicaz.

                        

Não resta dúvida, E. L. James foi a grande precursora ao introduzir o boom dos romances eróticos na mídia, e, por mais que hajam várias conjecturas contra o famoso best-seller da autora, Cinquenta Tons de Cinza abriu caminho para muitos outros roteiros do gênero, assim como, retirou a venda pudica que impossibilitava a discussão de temas incomuns na vida de muitas leitoras. Hoje as redes sociais estão impregnadas de grupos e páginas falando livremente sobre a naturalização de orgasmos, maneiras com que as mulheres desejam ser tratadas na cama, a descrição do homem perfeito e fantasias sexuais, temas antes censurados, são discutidos naturalmente entre mulheres de praticamente todas as faixas etárias.

Os ingredientes são bem simples, conta a história de amor entre a estudante universitária Anastasia Steel e o multimilionário Christian Grey, que pouco a pouco revela a jovem suas singulares preferências sexuais. A princípio, Anastasia resiste em adentrar o mundo que Christian lhe mostra, mas a medida que a história se desenrola, a garota passa a rever seus conceitos de“normalidade” no que concerne a intimidade. Obviamente, os gostos do ricaço têm uma explicação relacionada com o seu passado e que Anastasia levará 1500 páginas para descobrir, antes de se casar com ele e viverem felizes para sempre, entre uma chibatada e outra.
O maior paradoxo que surge é, foi Cinquenta Tons de Cinza que despertou no público este desejo desenfreado por esse tipo de leitura ou se esse instinto já se encontrava latente nas ávidas leitoras e foi apenas estimulada pelo mercado editorial. Qualquer que seja a resposta, seria injusto reduzi-la a um mero fenômeno de vendas? Ainda que seja o livro mais vendido da história na Grã-Bretanha, também é certo afirmar que nos últimos anos uma série de fatores favoreceu a invasão da literatura erótica em nossas bibliotecas.

A julgar pelos mais de 50 milhões de exemplares vendidos da trilogia, o interesse pela literatura erótica e sua temática era mais do que uma inquietude “A partir do século passado (XX), a estimulação sexual passou a ser apreciável, bem como a busca de novos horizontes e a possibilidade de ampliar o estimulo através dos meios de comunicação”, assegura a sexóloga Silvia Aguirre. Provavelmente o acesso a todo o tipo de conteúdo na internet e o anônimato que ela proporciona propiciaram um espaço para que dúvidas sobre sexualidade pudessem ser sanadas. Hoje também é possível comprar livros no formato ebook, sem ter que enfrentar o olhar do caixa da livraria que saberá a sua leitura na próxima tarde chuvosa em que você estiver livre.
Como toda forma de arte, a literatura também oferece uma experiência vívida, permitindo que o leitor se aproprie das experiências do personagem, ainda que indiretamente. Como definiu o coletivo italiano de escritores Wu Ming sobre o papel social da arte, “através das (…) modalidades expressivas adotamos diferentes pontos de vista, entramos nos ‘sapatos do outro’, nos sentimos identificados (graças aos nossos neurônios, espero) e vivemos experiências que vão além das possibilidades de nossa imaginação.” Seguindo essa linha de raciocínio, é possível que a protagonista de 50 tons de cinza e suas incertezas sobre as proposta de Christian Grey podem ter aberto caminho para que leitoras do romance assumam esse dilema para si, prolongando a história de E. L. James.

                      Cinquenta Tons e a Moralidade sexual

    

É ruim ter esses desejos? Evidentemente a culpa, acompanhada da censura social foram determinantes para reprimir essas dúvidas. Gerações e gerações que foram cercadas por essa questão hoje estão inseridas num mundo em que já não é mais vergonhoso falar de sexo ou perguntas os porquês que envolvem o ato. Parece que condicionantes históricos perderam o seu peso, além do fato de que a mulher possui hoje um posicionamento maior na sociedade. “As mudanças quanto ao papel da mulher, bem como o fato de que ela passou a ter direito ao prazer sexual, a criação de anticoncepcionais e mudanças no que diz respeito a forma como vemos a sua sexualidade foram determinantes para que esse tipo de literatura ascendesse.” – explica Silvia Aguirre.
No final de 50 tons de liberdade, último livro da saga, Anastasia visita o Dr. Flynn, psiquiatra de Grey, e lhe pergunta se há algo de problemático em seu parceiro ser “sádico”. O próprio Flyn lhe responde que há anos que não considera o sadismo um transtorno, mas sim um estilo de vida. Talvez o verdadeiro valor de 50 tons de cinza seja o fato de que a autora conseguiu desmistificar a ideia de que não há nada de “doentio” nos desejos sexuais de Grey, colocando-o numa relação amorosa verossímil, fazendo com que o leitor possa tirar conclusões próprias a respeito.

                            Cruzando o umbral do pudor

A história da senhorita Steel e Grey impulsionou as vendas em sex shops em todo o mundo, a abertura de espaços de leitura e escritura eróticas, a criação de uma coletânea com as músicas favoritas dos dois e muito mais, o que talvez nos faça entender por que a história se passa nos EUA. Ainda que aqui na Argentina também tenhamos nossos próprios fenômenos – fenômenos esses para todos os gostos, diga-se de passagem.
Um bom exemplo é o “Canto do Tesão”, do ciclo de leitura de literatura erótica “Pajita de San Valentín”, uma homenagem ao dia dos namorados no Centro Cultural Matienzo, feito pela fotógrafa Aldana Altoni. Nesse espaço, Aldana colocou fotografias eróticas de todos os quese  animaram em oferecê-las e conta sobre a experiência de ver seus modelos cruzando as fronteiras da intimidade:
“O ‘canto’ surgiu como uma forma de vincular a fotografia com o expectador. A diferença dessas fotos para as demais é que essas estão presas ao imediatismo e espontâneo. Gosto de ver como as pessoas reconhecem o seu próprio erotismo, sinto que é uma maneira de ver a realidade na sexualidade. Acredito que precisamos nos vincular mais com a nossa natureza, sem culpa. Claro que, a princípio, as pessoas queriam ter todo o controle da situação: as fotos, as poses, como sairiam. Até que a confiança e o clima diferente da situação fez com que elas relaxassem e se divertissem. Assim, tudo aconteceu de forma bem espontânea e os resultados foram ótimos. Assim que tem que ser, não é uma questão de libertinagem, mas sim de bem-estar.”
O Clube Cultural Matienzo, em março de 2014, ofereceu um curso livre de literatura erótica. Seus organizadores, Silvia Marino, Matías Lockhart e Lucia de la Vega, coordenadores do grupo de leitura Tres Comas, estão impressionados com a repercussão do curso que inclusive foi repetido em maio.
“Sentíamos que havia algo no ar em relação à literatura erótica, talvez pelo sucesso de 50 tons de cinza. O certo é que o interesse das pessoas superou as nossas expectativas. Pensamos que o entusiasmo seria mais gradual, mas o número de inscrições foi maior do que esperávamos. Conversamos sobre e decidimos repetir o curso em maio. O que propomos foram ferramentas para ler literatura erótica, trabalhando com conceitos. É importante entender que se a expressão artística é justificável, não há nada de mal em ler ou escrever esse tipo de história. Por sorte todos foram se soltando naturalmente, depois da segunda aula ninguém tinha vergonha de dizer mais nada. Muitos se animaram a ler o que escreveram ao público. Foi uma experiência muito positiva!
Além desse suposto paradigma, o interesse sempre existiu. Existem desenhos e pinturas feitos já no século XVIII, tempos em que a fotografia ainda não existia, nos mostra que a sexualidade sempre foi mais que uma inquietude. O escritor uruguaio Ercole Lissardi afirma que, na realidade, somos uma sociedade que há muito já está preparada há muito tempo para falar desses assuntos publicamente, “nada constrange nada nessa sociedade sexualizada”. Ainda que nos pareça ser necessário amadurecer essa abertura repentina. Como disse Ercole “entre a censura e a permissividade absolutas, a arte erótica ainda busca onde dizer as suas verdades.”

        

Cinquenta Tons de Cinza possui esse lado polêmico, pois até o seu lançamento, livros com esse tipo de tema não eram muito comuns e não faziam tanto sucesso. Não sei dizer o motivo, mas vai ver que é por isso que algumas pessoas acabam vendo só o lado erótico da estória e julgam o livro a partir daí.
Mas existe mais neste livro. O romance por trás das cenas mais fortes é digno de ser posto em primeiro plano. Cinquenta Tons de Cinza é um livro que fala de amor e de superação. Mostra que as pessoas realmente podem mudar, se estiverem dispostas a fazer o que for preciso para alcançar seus objetivos e desejos, ou então para não deixá-los partir..

Eu não avaliaria nem de longe Cinquenta Tons de Cinza como um livro ruim e com certeza o romance entrou para a minha lista de favoritos. Para mim não é surpresa que a trilogia alcançou um sucesso estrondoso, principalmente entre o público feminino.
Talvez a grande jogada da autora tenha sido criar uma protagonista bonita, com autoestima quase nula e absurdamente ingênua. A mocinha boba que se apaixona pelo bilionário atraente e é correspondida (mesmo que de maneira estranha), foi a aposta de E. L. James.
 Mesmo com os murmúrios em relação as semelhanças com a saga Crepúsculo, Cinquenta Tons é bem mais desenvolvido com personagens mais coerentes, cenários mais sofisticados e referências lógicas e originais, bem como, o desenvolvimento da narrativa, apesar das inúmeras reviradas de olhos, as mordidas no lábio inferior e as constantes e enfadonhas discussões de Ana com sua “ deusa interior “, assim como nada é perfeito, acredito que a autora tenha exagerado nestas sucessões de detalhes desnecessários
Outro ponto negativo determinante  do livro, refere-se às personagens secundárias, em grande parte da narrativa elas simplesmente desaparecem e toda a trama fica concentrada em Ana e Christian, assim como o excesso de sexo, sexo e mais sexo. As cenas sexuais, a partir de um ponto, ficam repetitivas e os diálogos infantis e superficiais.

Há quem diga que um dos acertos da autora foi a evolução dos diálogos dos protagonistas em forma de e-mails, pois, a leitura ficou mais leve e fluiu melhor, além dos mistérios sobre o passado de Christian, os segredos que o “Sr. Perfeição” escondia foi uma verdadeira tese de Doutorado em Psicologia, assim como criou uma aura de mistério e conflitos dentro da narrativa aguçando a curiosidade pelo desfecho.

                                      Anastacia Steel

                                    

O que dizer dessa personagem? Muitos leitores, ao terminarem de ler a trilogia, se viram com um ódio mortal de Anastasia! Ela tem 21 anos e em relação a sentimentos é muito boboca. Sim, boboca! Ser tímida ou ingênua é uma coisa, mas ser uma completa retardada alheia a tudo que envolva um relacionamento aí já é demais! Ficar corada por alguém segurar sua mão? Só pode estar brincando!. No começo até que o público engole essa bobeira da Ana, mas depois isso vai ficando cansativo. Ainda bem que a trama é muito boa e o enredo também. Mesmo com a narrativa sendo um pouco cansativa, o livro é viciante e o ponto alto aqui é o Sr. Grey. Christian é um personagem apaixonante e o mistério que envolve sua vida te leva a ler o livro até o final e ficar com vontade de já começar a ler o outro em seguida.

E o assunto polêmico que faz com quem muitas pessoas odeiem, ou simplesmente tenham preconceito literário, está no quesito “cenas de sexo explícito”. Sim, o livro está repleto delas e a editora não suavizou em nada essas cenas. Um ponto que não passa despercebido de ninguém e as leitoras até entendem o efeito Grey sobre a Ana, mas… a protagonista goza com muita facilidade, nem parece uma mocinha tímida e recatada que alguns capítulos atrás era virgem, sem noção até sobre tocar o próprio corpo, certas atitudes ficaram ilógicas e incoerentes, pois,  Anastasia estava sempre pronta para ele…

                                         Christian Grey

   

Não quem não tenha ficado surpresa com o  que Christian gostava de fazer entre quatro paredes (ou em carros, elevadores, mesas de escritório etc…), na verdade quem estava deste lado de cá das páginas torcia, sofria, vibrava e até se decepcionava com o desenrolar do roteiro.
Eu adorei o casal. Embora todo o preconceito em torno das cenas eróticas e do fato de Anastasia abrir mão de sua inocência sexual por um cara rico, não acredito que seja bem assim. Anastasia amava Christian, e isso sempre esteve bem claro. Suas concessões às preferências sexuais do mocinho, ao meu ver, não foram em troca de carros ou joias, mas de uma maior participação emocional dele na relação. Em contrapartida, desde o começo é visível que os sentimentos de Christian em relação a Ana são diferentes do que todos os seus relacionamentos anteriores. Suas trocas de e-mails provocantes, todo o cuidado dele em tudo que envolve Anastasia e algumas declarações em momentos inesperados, tornam as cenas do casal muito doces, mesmo em volta de tamanho teor sexual.

— Gosto das minhas mãos em você — murmura ele, e tenho que concordar: eu também.Anastasia, eu poderia ver você dormir pra sempre.

Sinto que a história tem um tremendo potencial (não é à toa que os três livros foram um sucesso sem precedentes), e que a autora tem uma enorme capacidade de escrita. E.L. James consegue ganhar nossa atenção e descrever os sentimentos dos personagens muito bem, mas ela só faz isso quando quer. Não entendeu? Eu explico.  Logo no começo do livro, me vi completamente envolvida na vida de Anastasia, na falta que ela sentia do seu pai de criação e em seu distanciamento com a mãe. Me senti presa a história que estava acontecendo ao meu redor, de tão bem que ela descreveu a situação. Mas com o avançar da história, ela só descrevia alguns momentos – em especial, os momentos sexuais – mas outros ela deixava de lado. Por exemplo: quando Ana entrava em uma festa, ao invés de lermos sobre a decoração da festa, a ambientação, as pessoas presentes no local, Anastasia simplesmente falava algo como “Chegamos na festa. Estava tudo impecável – puta merda!”. Já as cenas de sexo… posso apenas me limitar dizendo que ela as descreve em pequenos detalhes – detalhes até que não precisávamos saber.
A autoestima praticamente nula de Anastácia era exatamente igual a de Bella, mocinha de Crepúsculo. E as semelhanças entre as duas séries não param por aí, e esse foi um fator que me incomodou bastante.
Outro fator que me irritou foi que, embora tenhamos vários personagens secundários,  em determinado momento do livro, a trama fica completamente em volta de Ana e Christian. Não digo que falava bastante deles dois, digo que SÓ falava deles dois, e a ambientação não mudava para os outros personagens, que poderiam ser muito bem aproveitados – gostaria muito de saber um pouquinho mais sobre a relação entre Kate e Elliot, Mia e Ethan etc.
A editora Intrínseca fez um trabalho impecável com o livro: a edição é maravilhosa, a fonte é ideal, e a capa (que em livros eróticos são sempre bizarras e muito explícitas) é de extremo bom gosto. Em resumo, 50 Tons de Cinza não é um livro que eu recomendaria a qualquer pessoa – tanto pelo seu conteúdo adulto quanto pelas falhas de narração – mas é um livro divertido, e uma vez que se conhece Christian mais a fundo e todos os seus motivos para ser desse jeito, a leitura parece se tornar mais profunda e tudo que lemos sobre ele passa a ter uma interpretação completamente diferente.  “50 tons” é um livro ideal para quem quer passar o tempo, e não me arrependo em momento nehum de ter lido a trilogia e o 4º livro da série.

                                              O FILME

Christian Grey se decepcionaria com o filme "Cinquenta tons de cinza", da diretora Sam Taylor-Johnson ("O garoto de Liverpool"). O personagem que "não curte romance" ganhou uma versão pudica, interpretada por Jamie Dornan (da série "The Fall") 

Baseado no primeiro volume da trilogia erótica de E. L. James, que já vendeu mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo, "Cinquenta tons de cinza" retrata o relacionamento do jovem milionário Christian Grey com a estudante Anastasia Steele.
A atriz Dakota Johnson, em seu primeiro grande papel, é tão convincente como a virgem Ana que chega a ser irritante. Ela fala sussurrando, tem os olhos aguados e postura fragilizada. Até aí tudo bem, já que a personagem é a "submissa" do livro. A falha do filme está no Sr. Grey. Cadê o "dominador" da história? Taylor-Johnson e a roteirista Kelly Marcel ("Walt nos bastidores de Mary Poppins") certamente não encontraram o tom do sadomasoquismo da obra de E. L. James.

                                     Sexo comportado

                    

Toda a graça se perde na adaptação. A "pornografia para mulheres", como o livro foi definido no lançamento em 2011, se transforma em sexo comportado. Mais da metade das cenas de sexo foram cortadas, como as de Anastasia fazendo sexo oral em Christian, e as que ficaram têm poucos minutos de duração.
Nem Dakota nem Jamie Dornan têm seus órgãos sexuais visíveis no filme. O personagem dele, em particular, parece fazer um monte de jogos na sua sala secreta sem tirar a calça, o que parece desconfortável. Algumas situações chegam a ser engraçadas de tão fofinho que ficou o erotismo. Para quem já viu "Ninfomaníaca", do diretor Lars von Trier, por exemplo, a palmada que Christian dá em Ana nem dói.
Até a linguagem dos personagens é diferente da do livro. O texto em que Christian diz "realmente gostaria de comer seu c..., Anastasia" foi substituído para "não quero a introdução da sua mão no meu ânus, Grey". Os diálogos sem frescura e bem diretos, que chamaram a atenção em um livro por mulher para mulheres, somem. Raramente os personagens soltam palavrões. Ficou certinho demais. É tudo tão cronometrado que a pegação parece mais insossa que beijo técnico de filme teen da Disney.
O pouco romantismo do livro ganha destaque no filme. Uma cena em que o casal sobrevoa Seattle no helicóptero dele, ao som de "Love me like you do", de Ellie Goulding, é tão açucarada quanto qualquer comédia romântica. Resta aos fãs de E. L. James protestarem para que "Cinquenta tons mais escuros" e "Cinquenta tons de liberdade", os outros dois filmes da trilogia já confirmados pela Universal Pictures, recuperem a pornografia perdida.

                     As Curiosidades sobre Cinquenta Tons

Protagonistas tinham os mesmos nomes dos de "Crepúsculo"
Sim, E L James é fã da saga, e isso não é novidade. Acontece que quando ela começou a escrever "Cinquenta Tons de Cinza", em uma fanfiction de "Crepúsculo", usou os mesmos nomes dos protagonistas: Bella e Edward . Anastasia Stelle e Christian Grey surgiram muito depois. Além dos nomes que eram iguais no começo, as histórias se assemelham MUITO. As duas moças são tímidas, virgens e pouco femininas. Já os dois homens são poderosos, tocam piano e são superprotetores. Que coisa.
A palavra mais citada é "sexo":
O livro é sobre sadomasoquismo, o que obviamente inclui sexo. Por isso, durante a história, jorram palavras sexuais. Ao todo, são 187 palavras que fazem referência à relação sexual. Só a palavra "sexo" aparece 58 vezes. “Foder” ocupa a segunda posição nesse ranking, com 37 aparições. Por fim, temos 20 vezes “fazer amor” e 19 vezes “penetração”. E esses são apenas quatro dos muitos termos do livro...
Ela cora 111 vezes (!!!)
Se você leu "Cinquenta Tons de Cinza" (ou a trilogia), provavelmente percebeu que Anastasia cora o tempo todo. O livro tem 455 páginas e a moça cora 111 vezes. Gente, isso significa uma vermelhidão a cada quatro páginas. Como se não bastasse, a moça ainda morde o lábio 22 vezes. Não dá pra imaginar o nível de vergonha.

                  É literatura, mas também é publicidade

                           

Talvez pouca gente tenha percebido, mas o livro está encharcado de marcas publicitárias. Apenas as primeiras oito páginas escapam disso. Em alguns momentos, os elogios são, hm, bem excessivos. A Mercedes é a primeira que surge na história. E já vem seguida pela frase/elogio:
“(...) é gostosa de dirigir, e os quilômetros deslizam à medida que piso fundo no acelerador”.
Uma das outras marcas de carro citada é Audi, repetida 14 vezes no livro. O celular dela, então, nem se fala. Ele é citado 25 vezes. O iPod fica um pouco pra trás, com 17 menções. Até marca de remédio aparece, como Advil. Mas o troféu de publicidade vai para o Mac, que aparece assim:
“O laptop Mac é brilhante, prateado e bem bonito. (...) Tem o mais moderno Sistema Operacional e um pacote completo de programas, além de um disco rígido de um ponto cinco terabyte, então a senhora vai ter muito espaço, trinta e dois gigas de memória RAM. (...) Isso é tecnologia de última geração.”


O livro causou polêmica em uma cidade brasileira.
Antigamente, boa parte dos livros eróticos ou pornográficos era proibida de circular. Muuuuitos foram recolhidos das livrarias. "Cinquenta Tons de Cinza" não foi um deles. Algumas livrarias públicas dos Estados Unidos se recusaram a encomendar o livro por considerarem má literatura. E claro que o Brasil não poderia ficar de fora. Em Macaé, no Rio de Janeiro, um juiz assinou uma ordem de serviço que considerava a publicação imprópria e vetava sua exposição sem lacre nas livrarias. Ele achava que crianças e adolescentes poderiam pegar o livro.
O livro é erótico, mas não há classificação etária
O esforço do juiz em vetar o livro pode ter funcionado apenas em Macaé, porque no resto do mundo muitas foram as adolescentes que leram "Cinquenta Tons de Cinza". A própria E L James cita em uma entrevista à Veja que uma menina de 15 anos a procurou para falar sobre a obra. Diferentemente do livro, o filme baseado na história, que estreia nesta quinta, tem restrição (ufa). Apenas as mocinhas e mocinhos maiores de 16 anos poderão desfrutar das cenas picantes.
O trailer de "Cinquenta Tons" é o mais assistido em 2014
De acordo com a Veja, o vídeo publicado em julho é o trailer mais visto do ano passado. No canal oficial da Universal Pictures, o número de visualização passa a marca de 52 milhões. Já no canal da Universal Pictures Brasil o número é de 6,5 milhões.
O brinquedo sexual mais vendido é uma algema
A Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico Sensual (ABEME) divulgou há poucos dias uma pesquisa sobre produtos do segmento. E adivinha o que tem nela? "Cinquenta Tons de Cinza", é claro! O número de pontos de vendas cresceu muito nos últimos três anos e agora já soma 11 lojas de artigos eróticos. E o que o livro tem a ver com isso? A maior parte dos entrevistados afirmou que a oferta de produtos que envolvem o sadomasoquismo aumentou após o lançamento da obra. O item mais vendido, inspirado em "Cinquenta Tons", é a algema que ilustra a capa do livro.
Existe uma linha de produtos eróticos baseada no livro
É isso mesmo. E ela se chama “Cinquenta Tons de Prazer”. Tem mais: ela é brasileira. São seis produtos, como géis de massagem corporal e géis comestíveis aromatizados com vinho tinto (bebida frequente no livro). Detalhe: as vendas começam apenas a partir desta quinta, data da estreia do filme.

Na opinião da escritora, tradutora e ex-agente literária Celina Portocarrero, que recentemente organizou a antologia de poesias "Amar, Verbo Atemporal" (Editora Rocco), a humanidade, de um modo geral, está precisando de mais romance –na vida e como leitura. "E como as mulheres, em geral, consomem mais literatura, isso explica o furor do público feminino em torno da criação de E L James", diz.
O fato de a obra ser uma trilogia e de cada volume ter quase 400 páginas, ao contrário de espantar, atrai. "As mulheres não gostam de romances curtos, porque elas precisam de tempo para mergulhar na história e entrar no clima das situações", afirma Celina. Segundo Noemi, outro fator que justifica o encantamento por "Cinquenta Tons de Cinza" (o nome do primeiro volume acabou batizando toda a trilogia) é Christian Grey. "O personagem masculino da história é muito cativante. Apesar de à primeira vista ele ser mostrado como um dominador, no decorrer da trama, ele leva o que Anastasia quer em consideração", explica.
"Ele preenche todos os sonhos que toda mulher tem desde a infância", diz Leonardo Berenger, professor de literatura inglesa e americana da faculdade de Letras da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). Quem compartilha da mesma opinião é Mariana Teixeira, doutora em Literatura Comparada pela USP (Universidade de São Paulo), pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em literatura libertina.

GREY, CINQUENTA TONS PELOS OLHOS DE CRHISTIAN

      

 Na 4ª versão da série, Grey, Cinquenta Tons de Cinza Pelos Olhos de Crhistian, eu fiz uma imersão completa na história e nos personagens. Passei dias inteiros concentrada em apenas ler, pensar, acompanhar a história do Grey e tentar desvendá-lo. E sempre me perguntava:  já chegou naquela cena? Pegava o primeiro livro para confrontar a narrativa. Boas histórias e personagens cativantes fazem isso com a gente, mas não tive com quem comentar minhas conjecturas, dividir minhas impressões. E confesso que fiquei muito feliz por  E L James nos ter permitido conhecer melhor um personagem tão misterioso e singular quanto Grey.
Também li sobre as decisões editoriais que foram  tomadas. Por ser o primeiro livro na visão do Christian, fiquei super curiosa como ele diria certas coisas, que vocabulário e que tom ele usaria para descrever cenas específicas, como terá sido para a autora colocar no papel o psicológico de um personagem tão intenso e complexo. . tenho certeza de que certas palavras foram alvo de discussão entre o público, eu mesma  cheguei a torcer o nariz , defendendo que Christian Grey não falaria de tal forma, ou, que ele não iria direto ao ponto em determinados casos.
Além disso, era imprescindível que a história estivesse coerente com Cinquenta tons de cinza. Nós leitoras tão observadoras não admitiríamos que numa mesma cena, Christian  estaria com uma roupa diferente em cada livro. Se Ana o descreveu de paletó em Cinquenta tons, ele não poderia aparecer de jaqueta em Grey,  e isso valeu para vários detalhes: as roupas, a comida, os locais e até o tom exato da cor da colcha na cama de cada um!
 Tenho certeza de que o livro foi feito por muitas pessoas, que se dedicaram, pensaram, repensaram e discutiram para que a história chegasse da melhor forma para o leitor. 

                                                                  By Stela Bagwell

Fontes: Minha Vida Literária, O Beco dos Livros, Listas Literárias, a trilogia Cinquenta Tons de Cinza e Grey, Cinquenta Tons de Cinza Pelos Olhos de Crhistian