Filmes de 2015

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

OS INTERTEXTOS CULTURAIS NA TRILOGIA O INFERNO DE GABRIEL PARTE II

   

                                                              RESENHA   
                   " A esperança jorra eternamente. " 

Antes de mais nada eu gostaria de deixar claro que resenha é um texto de opinião baseado subjetivamente de acordo com a sensação e ponto de vista do resenhista que, coloca no papel aquilo que viu, sentiu e analisou, existindo, portanto, inúmeras outras interpretações e análises de uma mesma obra ou objeto, as quais convergem ou divergem entre si.

Honestamente, esta trilogia de Sylvain Reynard foi um dos melhores livros que já li dentro deste gênero romance/erótico, apesar destes não serem livros eróticos. Vale lembrar também que, este, é um trabalho esmerado e extremamente intelectualizado, são livros castos e reflexivos com personagens plenos e bastante desenvolvidos, que, a princípio, é difícil analisá-los, decifrá-los tanto pela complexidade psicológica quanto pela profundidade de sentimentos com que são concretizados.

A narrativa é refinada e o raciocínio e vocabulário muito evoluídos, assim como, as descrições sexuais são idealizadas, seguindo um contexto romantizado permeado por uma intensa alusão ao amor casto e sua objetividade permanente, pura e virtuosa.
A história traz temáticas sociais, culturais, psicológicas e apresenta palavras, frases e expressões em pelo menos cinco idiomas.

                                                

Apesar da obra ser muito boa e o texto ser elegante e abrangente, os conflitos paralelos que norteiam a vida das personagens são ingênuos, e soam quase inverossímil como, de repente, tudo parece claro, apresentando resoluções práticas.
Erros de português também podem ser encontrados no 3º livro, página 112, 6º parágrafo, há um claro descuido dos tradutores ao grafar a palavra mestria no sentido de algo ou alguém ser mestre, apto, especialista, em alguma coisa, e não maestria, que designa o ato de reger, conduzir, direcionar determinada questão, ocasião. Acredito que este não é um problema, visto que, a grande maioria dos dicionários não diferencia estes dois substantivos, principalmente, os dicionários online, fato que também não comprometeu em nada a grandiosidade da obra original, na qual, a palavra vem grafada corretamente, e, afinal, não estamos em nenhum mestrado do vernáculo português neh?

Algumas outras peculiaridades podem ser notadas nos livros de Sylvain Reynard, como o fato da autora ter uma queda por poltronas confortáveis de veludo vermelho, pois, faz questão de inserir o móvel em alguns cenários do livro. Percebe-se também, que a autora ( or ), é uma (um) grande erudita (o) em literatura, história da arte, bem como, possui um grande conhecimento musical, gastronômico e possivelmente jurídico, sendo que, o segundo livro da série esta repleto de noções de Direito, fundamentando um grande Tratado Jurídico.

A autora (or) cria uma analogia artística entre as fases da remissão de Gabriel com A Divina Comédia, em italiano: Divina Commedia, um poema de viés épico e teológico, escrito pelo escritor, poeta e político italiano, Dante Alighieri no século XIV, o qual, é dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso e Julia simboliza a figura idealizada e responsável por conduzir seu amado até a redenção. Esta analogia é algo inusitado em livros de cunho sensual, creio que um dos ingredientes essenciais para tornar o enredo interessante.

Em relação às personagens, apesar de ser baseadas em clichês, como a garota pobre, tímida, sensível e virtuosa que se apaixona pelo homem lindo, sedutor, rico e poderoso, gostei muito do Gabriel, ele é, simplesmente, encantador, mesmo quando se mostra frio e cruel, a performance da personagem convence, ele é irresistível para qualquer pobre mortal do sexo feminino e masculino também se for o caso.

Fica bastante evidente a intensificação das cenas de sexo no terceiro livro da série, o cenário acadêmico também tem ganha um novo viés o que agrada bastante. Há quem diga que a forma com que o autor apresentou as nuances culturais dentro da narrativa foram prolixas e enfadonhas como as palestras que foram reproduzidas na íntegra, particularmente, eu gostei bastante dos termos técnicos e dos jargões utilizados por Reynard. A conotação religiosa também esta presente, em praticamente, toda a narrativa, porém, acredito que a maior das mensagens transmitidas pelo (a) autor (a), foi a capacidade de superação e condição que o amor assume diante das adversidades, possibilitando a mudança de posturas, pensamentos, e caráter.

                                 
“- Eu falei a ele que a maior das virtudes não é a caridade; é a esperança. Conheci a caridade com Richard e Grace, mas também com você. E ela me ajudou a atravessar dias muito sombrios. E também descobri a fé, quando estive em Assis. Mas, sem esperança, não estaria aqui. Eu teria dado um fim à minha vida. Sem a intervenção divina na forma de uma adolescente em um pomar na Pensilvânia, eu estaria no Inferno (…).”

Algumas associações com outra trilogia de grande sucesso ( Cinquenta Tons de Cinza) podem ser observadas na obra de Sylvain Reynard. Julia e Anastácia são virgens e inexperientes. A mãe adotiva de Gabriel se chama Grace, que é o mesmo nome da mãe de Crhistian. Gabriel tem um passado obscuro e tenebroso, Grey também, ambos são rodeados por belas mulheres, mas se apaixonam por garotas simples que não usam maquiagens nem possuem o esteriótipo de mulher fatal, ambos são ricos e conseguem tudo sem nenhum esforço, ambos tiveram um começo de vida difícil, mas conseguiram se tornar bem sucedidos ao longo da vida, ambos são lindos e sedutores, super bons de cama, super bem resolvidos e super inteligentes....a história se repete? Talvez, mas de uma forma mais sofisticada.



       Cantores/Bandas e Músicas citadas nos livros da trilogia:

*Noturno Op 9 nº2, de Chopin
*Lacrimosa, de Chopin
*Far, Far, de Yael Naim
*Hurt, de Jhonny Cash
*All the Pretty Facess, dos Killers
*Non ge ne regrette rien, de Edith Piaf
* La vie en rose
* Prospero´s Speech, de Loreena McKennitt
*Dante´s Prayer, de Loreena McKennitt
*Mad World, na versão de Gary Jules
*Don´t you forget about me
*Madame Butterfly
*Diana Krall
*Lyng in the hands of God, de Dave Mathews
*Sogno, de Andrea Bocelli
Gaudete, do grupo, The Medieval Babes
*Sarah Mclachlan
*Bruce Cockburn
*Mansamente pastam as ovelhas, de Bach
*Despertai, chama-nos a voz, de Bach
*Exsultate, jubilate, de Mozart
*The look of love, de Diana Krall
*I burn for you, de Sting

                              CITAÇÕES LITERÁRIAS

                                    Versos da Peça A Tempestade, de William Shakespeare:

" Mas libertai-me de minha paixão
Com o auxílio de vossas mãos
Vosso hálito gentil, minhas velas há de inflar
Para que em meu intuito de agradar
Eu não fracasse, Quisera eu ter
A arte de enfeitiçar, os espíritos em meu poder,
Mas ao desespero estou fadado,
A menos que seja libertado
Por uma prece tão contundente e pia,
Que todo pecado expia
Assim como desejais de vossos crimes o perdão
Eu vos rogo, concedei-me a libertação"

Livro; Os quatro Amores, de C.S. Lewis
Livro: The Figure of Beatrice: A Study in Dante, de Charles William
Dorothy Sayers
São Tomás de Aquino e a Suma Teológica
Lancelot e Guinevere
As irmãs Brönte
Livro: Fim de caso
As Crônicas de Nárnia, de C.S.Lewis
A História de Boticelli e Simonetta Vespuci
Os Irmãos Karamazov, "e o diálogo entre Alyosha, o padre e seu irmão Ivan, de Dostoiévsk
O Hobbit, de R.R.Tolkien
Os Senhor dos Anéis, de R.R.Tolkien
Cyrano de Begerac
Livro: The Velveteen Rabbit, de Margery Willians
Charles Dickens
Arthur Miller
John Steinbeck
Leon Tostói
Tess dos d´Urbervilles
Judas, o obscuro
Livro; Nalgum lugar em que nunca estive, de E.E. Cummings
John Donne
Debate entre São Francisco de Assis e o demônio pela alma de Guido de Montefeltro
Livro: Uma Confraria de Tolos
Jane Austen
Livro: Casamento na Idade Média, amor, sexo e o sagrado.
Monólogo de Gertrude sobre a morte de Ofélia, de William Shakespeare
A Vida Nova, de Dante Alighieri
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
Quarta-feira de Cinzas, de T.S. Eliot
Pedro Abelardo e Heloísa
Livro; A Severe Mercy
Paraíso Perdido, de John Milton
Jane Eyre
Livro; O Caminho de um Peregrino
Livro; Fanny e Zooey, de J.D. Salinger
O Cão de caça do Céu, de Francis Thompson
Os Inkling
O Canto XXII do Inferno de Dante
Otelo, de William Shakespeare
O Soneto 29, de William Shakespeare

by Stela Bagwell

Fontes: O Inferno de Gabriel, O Julgamento de Gabriel e A Redenção de Gabriel, de Sylvain Reynard